11 setembro 2016

[Resenha] Na estrada Jellicoe - Melina Marchetta

Na estrada Jellicoe
Melina Marchetta



A pequena cidade de Jellicoe, na Austrália, vive uma guerra territorial travada entre três grupos: os estudantes do internato, os adolescentes da cidade e os alunos de uma escola militar que acampa na região uma vez por ano. Taylor é líder de um dos dormitórios do internato e foi escolhida para representar seus colegas nessa disputa.
Mas a garota não precisa apenas liderar negociações: ela vai ter que enfrentar seu passado misterioso e criar coragem para finalmente tentar compreender por que foi abandonada pela mãe na estrada Jellicoe quando era criança. Hannah, a única adulta em quem Taylor confia e que poderia ajudar, desaparece repentinamente e a pista sobre seu paradeiro é um manuscrito que narra a história de cinco crianças que viveram em Jellicoe dezoito anos atrás.
 

Na estrada Jellicoe tem um plot central (em partes) que gira em torno de uma disputa territorial da cidade Jellicoe entre 3 grupos de adolescentes: os Citadinos (os adolescentes que moram na cidade que dá nome ao título do livro), os Cadetes (alunos de uma escola militar que acampa perto da cidade uma vez ao ano) e os alunos do internato Jellicoe, é aí que conhecemos a Taylor nossa protagonista que em paralelo à disputa, tenta descobrir quem ela é.

Taylor nunca conheceu o pai, a mãe a abandonou e agora que Taylor é líder dos alunos do internado onde estuda, embora tenha odiado a posição, ela tem consciência que é preciso aprender a lidar com as responsabilidades disso, somado também ao fato de que Hannah, sua tutora também desapareceu.
Lembro do amor. É do que preciso ficar me lembrando. É engraçado como esquecemos tudo, menos de sermos amados. Talvez seja por isso que os humanos achem tão difícil superar relacionamentos amorosos. Não é a tristeza que eles precisam superar, é o amor.
Até a metade do livro, eu não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, recomecei a ler o livro 3 vezes e ainda sim nada fazia sentido. O livro tem muitos personagens que causa uma certa confusão, até a metade do livro Taylor está focada em conseguir território em relação aos outros dois grupos. Já na outra metade, o foco passa a ser o passado da Taylor, uma vez que Hannah está desaparecida, Taylor quer saber o porquê e em uma das idas a cabana de Hannah (sim, os alunos do internato vivem em cabanas próximo ao prédio da escola), Taylor encontra um manuscrito de 18 anos atrás que envolve 5 adolescentes que estudaram no internato.
As páginas estão espalhadas, como se alguém tivesse lido. Como se alguém tivesse passado por ali, o que me deixa tensa. Não há numeração nas páginas, então não sei se estou com o começo ou com o fim, nem se está na sequência certa, mas, ultimamente, não estou procurando muito por continuidade.
Só estou procurando algo que faça sentido para mim.
Quando Taylor encontra esse manuscrito, a história passa a ser intercalado entre Taylor no presente e o passado narrado em terceira pessoa seguindo o que aconteceu no manuscrito (vale dizer que os acontecimentos do manuscrito não estão em ordem cronológica) ou seja, já não bastava não entender o começo, agora também temos um passado confuso; nesse ponto a disputa territorial acaba, os inimigos agora são amigos e o foco passa a ser só descobrir a relação do manuscrito com o passado da Taylor.

Embora confuso, o livro é bem escrito, mas ainda sim acho que tem personagem e informação demais, a sensação que eu tenho agora que acabei e algumas coisas fazem mais sentido é que, por não entender nada no começo deixei passar alguns detalhes que são importantes para os fatos se encaixarem. Sutilmente o livro discute que nem sempre somos capazes de enxergar e compreender situações maiores logo de primeira, além de discutir temas como doenças psiquiátricas, dependência química e luto.
Segundo Dickens, a primeira regra da natureza humana é a autopreservação e, quando perdoá-lo por ter escrito um personagem tão patético quanto Oliver Twist, vou agradecer pelo conselho.
Se você decidir ler Na estrada Jellicoe, persista e não desista, pois, no fim das contas a história vale muito a pena, a capa conversa muito com a sutileza do enredo e as camadas que você precisa destrinchar para entender os fatos, Melina Marchetta foi corajosa ao escrever uma história aparentemente desconexa, mas que aos poucos cola os fragmentos e lhe persegue depois do último ponto final.


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