[Resenha] Meio Rei - Joe Abercrombie

Meio Rei
Mar Despedaçado # 1

Jurei vingar a morte do meu pai. Posso até ser meio homem, mas sou capaz de fazer um juramento por inteiro.
Filho caçula do rei Uthrik, Yarvi nasceu com a mão deformada e sempre foi considerado fraco pela família. Num mundo em que as leis são ditadas por pessoas de braço forte e coração frio, ser incapaz de brandir uma espada ou portar um escudo é o pior defeito de um homem.
Mas o que falta a Yarvi em força física lhe sobra em inteligência. Por isso ele estuda para ser ministro e, pelo resto da vida, curar e aconselhar. Ou pelo menos era o que ele pensava.
Certa noite, o jovem recebe a notícia de que o pai e o irmão mais velho foram assassinados e não lhe resta escolha a não ser assumir o trono. De uma hora para outra, ele precisa endurecer para vingar as duas mortes. E logo sua jornada o lança numa saga de crueldade e amargura, traição e cinismo, em que as decisões de Yarvi determinarão o destino do reino e de todo o povo.
Joe Abercrombie nos apresenta um protagonista surpreendente, numa história de percalços e amadurecimento que abre a trilogia Mar Despedaçado.

Senta que lá vem resenha de um livro Ma-ra-vi-lho-soo!


O mundo encantador de Yarvi é cenário de uma das melhores fantasias medievais que li nos últimos tempos. Dividida em países governados por monarquias, essa história parecia ser mais uma das muitas semelhantes que já li. Mas não, é muito mais. 

Yarvi é o segundo filho do rei de Gettland, mas sempre viveu à sombra de todo reino por ter nascido deficiente. Uma de suas mãos tem uma má formação e, por isso, jamais poderia ser o guerreiro que espera-se que um príncipe se torne. E não apenas por isso, Yarvi é um garoto pacífico, que apenas deseja ser um ministro, um estudioso que abdica do casamento e da posição na corte para dedicar-se a ajudar as pessoas e a cultivar a paz. Era o que ele mais queria, não aguentava mais viver sob o escárnio de uma família que o desprezava e fazia de sua deficiência um motivo para excluí-lo e humilhá-lo.
“E a mente ágil, empatia e força. Só que é o tipo de força que faz um grande ministro, não um grande rei. Você foi tocado pelo Pai Paz, Yarvi. Lembre-se sempre: os homens fortes são muitos; os sábios são poucos.”
Entretanto, uma reviravolta acaba com todos os planos de Yarvi...

Quando chega a notícia que seu pai e seu irmão tinham sido assassinados, ele é forçado a sentar no trono como o novo rei de Gettland. E agora? Ele nunca quis ser rei, e nem sabe o significado de ser um. Não é um guerreiro, não entende de guerras, só queria viver sua vida em paz como um ministro...

Mas, Yarvi, é, acima de tudo, muito inteligente. Ele vai conseguir decifrar uma maneira de viver essa nova vida da melhor maneira possível, apesar das circunstâncias. Ele tem a mãe para ajudá-lo. Laithlin, a rainha dourada, é uma mulher extremamente inteligente, que governou Gettland de uma maneira jamais vista. Expert nos negócios da corte, ela é conhecida além do mar despedaçado. Certamente é uma poderosa aliada para Yarvi, mesmo nunca tendo tratado-o como o irmão. Os tios de Yarvi também ajudarão, seja nos conselhos de guerra ou na vida da corte. Ele via um de seus tios, Odem, mais como pai do que o seu próprio, pois sempre o tratou bem e com carinho. Tudo daria certo.

Não, não daria. Porque muita coisa ainda vem por aí na vida de Yarvi, e as coisas não são como ele pensa. Acontece que o assassinato de seu pai e seu irmão pode ser parte de um grande esquema político, e ele é apenas mais uma peça do quebra-cabeça.
“– Quando se está no inferno – murmurou Yarvi –, só um demônio pode apontar a saída.”
Uma grande jornada o aguarda, e o que parecia ser mais uma história de um menino que assume o trono de um reino contra a sua vontade, se mostrou uma grande história de um menino que descobre ser muito mais que isso, e passa por muitos desafios que o ajudam a descobrir quem realmente é e o que quer da vida.

Muitas aventuras, muitas lutas e desafios que ele jamais imaginou enfrentar aguardam Yarvi. Embarquem com ele nessa viagem!

Esse foi um livro nada menos que surpreendente. Não esperava e ainda estou de boca aberta, sério!

Pode parecer que contei muito sobre a história, mas, na verdade, isso é bem o iniciozinho. Não posso revelar nadinha sem dar spoiler, porque os eventos que seguem a coroação de Yarvi são de cair o queixo =O 
Só posso dizer que é uma baita reviravolta para o que eu achei que seria uma história calma. Ah, estava super enganada.
“Talvez você precise de duas mãos para lutar contra alguém, mas só de uma para dar uma facada nas costas."
É cheio, muito cheio de aventuras e acontecimentos e descobertas. O tempo todo torcemos muito para Yarvi. Não vou negar que ele passa por momentos super difíceis, cruéis até. E quando eu achava que o menino ia fraquejar, ele me surpreendia. 

Gostei muito desse personagem. A inserção da deficiência em um mundo medieval e num integrante da família real foi um quê a mais, e foi muito bem abordada. Ele não tem aquelas crises de vitimismo e encara sempre tudo de uma maneira sagaz e até um pouco ácida. Dá para entender a raiva que ele acumulou, com todo mundo desprezando-o e menosprezando-o. 

A escrita de Abercrombie é bem profunda. O livro tem várias frases de efeito que te fazem pensar. Por tudo isso que eu já falei sobre a história, não classificaria o livro como YA. É bem mais maduro do que eu esperava e adoro ser surpreendida.
Gostaria muito de comentar com vocês sobre os personagens que conhecemos, mas qualquer coisinha seria um baita spoiler rs. Só digo isso: aparecem pessoas diferentes e fenomenais na vida de Yarvi, com quem ele irá aprender muito e se identificará de uma maneira que sua própria família jamais o alcançou. Tem guerreiros, escravos, marujos e uma revelação que virará tudo se cabeça para baixo.

Meio rei é um livro encantador para quem gosta de fantasia. Recheado de aventuras e descobertas, é uma excelente dica para quem quer curtir uma boa história e viajar sem sair do lugar!
“Não pareciam mortos.
Apenas muito pálidos, deitados em lajes geladas na sala fria, as mortalhas puxadas até as axilas e as espadas nuas reluzindo no peito. Yarvi ficou esperando que a boca do irmão estremecesse no sono. Que os olhos do pai se abrissem para encontrar os dele com aquele desprezo familiar. Mas isso não aconteceu. Nunca mais aconteceria.
A Morte havia aberto a Última Porta para eles, e desse portal ninguém retornava.”


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