03 agosto 2016

[Resenha] Maus - Art Spieglman

Título: Maus
Autor: Art Spiegelman


Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu-polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos.
Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, Maus ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura.
A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas -história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume.
Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho.
De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.

Maus nos conta a história de Vladek Spiegelman, pai de Art (ou Artie como é chamado pelo pai) que é o narrador e autor do livro. Vladek é um Judeu de origem Polonesa que em sua juventude conquistava muitas mulheres, mas que endureceu após os anos de extermínio na segunda Guerra Mundial. Maus é biográfico e nos envolve de modo sutil, mas certeiro no que foi a violência gradativa contra os judeus, passando por guetos, aumentando o racionamento de comida até os campos de concentração e extermínio.


Maus significa ratos em alemão, e o livro traz os personagens humanos representados com uma cabeça de animal característica de cada nacionalidade, onde os Judeus são ratos, os Alemães são gatos, os Estadunidenses são cachorros, os Franceses são sapos e os Poloneses - não judeus, são porcos; desde o início sabemos quem morre e quem sobrevive, a história é linear e não tem uma resolução clara de conflito, todos os personagens de fato existiram, todos os quadrinhos são em preto e branco e Art toma o cuidado de escrever acentuando o sotaque de seu pai Vladek.


Art começa a escrever o livro com base nas memórias de seu pai e vai alternando em presente e passado desde antes do começo da guerra. Vai nos contando como seus pais se conheceram, casaram tiveram o primeiro filho, como foram as privações e  asfugas nos primeiros anos de guerra, a morte do irmão, a separação dos pais quando eles são enviados para Auschwitz (o pai- Vladek) e Birkeneau (Anja- a mãe), o reencontro pós fim da guerra e como o horror moldou as personalidades dos sobreviventes, fazendo de seu pai uma pessoa paranoica e rabugenta, de sua mãe uma suicida e do próprio Art, que se julga culpado por não ter dado atenção a mãe que acabou cometendo suicídio sem deixar uma única carta.

Art confessa que não mantém uma relação próxima com o pai, às vezes até culpando-o pela more da mãe ( chamando-o até de assassino), e se questiona sobre como escrever um livro sobre holocausto uma vez que não entende nem a história dele com o próprio pai.
 Art se mostra perseguido pela sombra do que foi o irmão que ele nem conheceu.


As crueldades do holocausto já conhecemos das nossas aulas de história na escola, mas ainda assim não deixa de ser cruel e chocante. Em um dos relatos, Vladek relata que conheceu o Dr. Josef Mengele (médico alemão famoso pelos experimentos realizados durante o holocausto conhecido como “Anjo da morte”), e por mais que o pai de Art tenha sobrevivido, ele era apenas uma sombra dos horrores que foram cometidos naquela época.


Para quem gosta da temática, Maus é uma história imperdível que nos ensina que, por mais difíceis que sejam as situações, paciência e perseverança são nossas melhores chances. Se eu tivesse que escolher um top 3 de melhores quadrinhos que já li, Maus com toda certeza estaria entre eles!


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