[Resenha] O Último Adeus - Cynthia Hand

O Último Adeus
Cynthia Hand


O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes.
"Preciso continuar.
Mas o chão está me faltando sob os pés."
Lex tem dezoito anos e acaba de perder seu irmão mais novo, Tyler. Seu irmão era um adolescente aparentemente saudável, bonito, popular... e que sofria de depressão. O suicídio de Ty abala a todos, mas principalmente Lex e sua mãe. Lex era muito apegada a Ty, era a irmã mais velha e se sente culpada, ela devia ter percebido alguma coisa, deveria ter estado lá para ele. Ela falhou com ele. Esses são seus principais pensamentos. É o que faz o buraco surgir.

O livro é intercalado entre o que está acontecendo agora e o diário que o psiquiatra de Lex pediu que ela escrevesse, com os primeiros e últimos momentos com Ty. Momentos em que, apesar de tudo, ele parecia feliz. Momentos onde eles estavam bem, quando ainda eram uma família.
"Nunca mais o verei.
Pensar nisso traz o o buraco de volta em meu peito. Isso não para de acontecer, acontece a cada poucos dias desde o enterro. Parece que uma cavidade enorme se abre entre a terceira e a quarta costela do lado esquerdo, um rombo por onde se poderia ver o assento de vinil do ônibus por trás dos meus ombros. Machuca, e meu corpo inteiro fica tenso de dor, e minha mandíbula trava e meus punhos se cerram, e o ar congela em meus pulmões. Nessa hora, Tenho a sensação de que posso morrer. De que estou morrendo. Mas então, tão de repente quanto surgiu, o buraco desaparece. Eu consigo respirar. Tento engolir, mas minha boca está seca.
O buraco é Ty, acho.
O buraco é algo como o pesar."
O buraco - como Lex o chama - é como uma síndrome do pânico, que ela começa a desenvolver depois da morte de Ty. Ela morre de medo que os outros vejam uma de suas crises, ela odeia isso, mas - como tudo depois da morte de Ty -, isso não está melhorando. É a partir daí que seu terapeuta pede que escreva o diário, uma vez que ela se recusa a tomar os antidepressivos.
"Aquela sociedade fantástica na qual todo mundo é drogado para ser feliz, o tempo todo, independentemente do que aconteça, é horrível - monstruosa, até -, é como o fim da humanidade. Porque temos que sentir coisas, Dave. Meu irmão morreu, e eu tenho que sentir."
A sua mãe por outro lado está ainda pior, só sai para o trabalho e chora o tempo todo, muitas vezes sem nem se dar conta de que está chorando. Ty era o filho que mais parecia com ela, o mais sensível. Seu bebê morreu - se matou - e ela nunca percebeu que havia algo errado até que fosse tarde demais. Qual o problema com ela? Que tipo de mãe era ela?

Agora, essa é a pior parte da depressão. Eu falo por experiência própria, porque eu fui diagnosticada com princípio de depressão por volta dos meus 18 anos e nessa época eu já estava bem melhor do que aos meus 16 anos, que foi quando  percebi que havia de fato algo de errado comigo. Sim, eu, porque mais ninguém viu que havia alguma coisa errada. Porque ninguém vê por dentro de outra pessoa. Ninguém pode saber o que nós sentimos, mesmo as pessoas mais próximas, às vezes só percebem vislumbres do que mostramos ao mundo, porque o pior fica dentro de nós.
"Você é como se fosse o sol, e eu, uma grande nuvem escura.
Eu sempre escurecia seu céu.
Já tentei, mas não consigo me consertar. Não consigo mudar. (...) Mas quero que você saiba, que por um tempo, você fez com que eu me sentisse vivo. Como se eu fosse especial.
Obrigado."
O que o livro passa para nós é exatamente isso. A escuridão, a solidão e a infelicidade que existe dentro das pessoas que sofrem com essa doença e como ela afeta, não apenas a pessoa que sofre com isso, mas todas as outras que estão ao redor. Porque muitas vezes quem tem depressão está tão preso dentro daquele redemoinho de emoções obscuras que não consegue ver mais nada ao redor. E quando o pior acontece, essas pessoas é que vão enfrentar o luto, a dor e a saudade que você trará a elas, porque ninguém que é amado morre totalmente. Ele está sempre vivo na mente e no coração das pessoas que ficaram. O tempo e a vida só param para quem já não possui nem um nem outro.

O Último Adeus foi uma das leituras mais fluídas e emocionais que eu já fiz. Antes que eu percebesse estava na metade e antes que pudesse piscar já tinha acabado, mesmo tentando ir devagar. Mas ele te prende e te conquista de uma forma que você não sente o tempo passar.



13 comentários:

  1. Oi Amanda. Eu já li críticas lindas a este livro maravilhoso. Eu também já tive depressão, perdi 4 kg devido a um término de namoro e também já tive princípios suicidas. O que acontece é que as pessoas pouco sabem que depressão é uma doença que mata e que se não for tratada, pode acarretar consequências sérias. Eu quero muito ler o livro e me emocionar com a leitura!
    Bjs, Leitora Encantada

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    1. Oi, Miriã!
      Pois é, só quem já viveu ou conviveu com uma pessoa com depressão sabe como é difícil.
      Leia sim, tenho certeza que você vai amar <3
      Bjks

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  2. Ai meu Deus, já estou prevendo uma desidratação quando eu ler esse livro. Não tenho dúvidas que esse livro irá me emocionar pacas, mas mal posso esperar para ler. A sua resenha só fez essa vontade aumentar! Fiquei ainda mais curiosa agora que você disse que a narrativa é fluida, porque geralmente esses livros deixam a gente com um nó na garganta tão grande que temos dificuldade em seguir com a leitura.

    Bjs.

    www.ciadoleitor.com

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    1. Hey, Patrícia!
      Olha, chorar mesmo, eu chorei quando o livro acabou. Acho que o final é o que mais mexe com a gente, que é quando toda aquela dor e carga emocional começa a sair mesmo. Foi a primeira vez que ao invés de chorar durante um livro eu chorei ao terminar um livro kkk
      Espero que goste e te toque também.
      Bjs <3

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  3. ainnnnnnnnn já quero mt! resenha top.
    me amarro em livros com essa temática e não conhecia este.
    obrigada!

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    1. Naaath *-*
      Lê sim, cara. Vale muito a pena porque além de não ser um livro pesado - como Os 13 porquês, por exemplo - ele te deixa com uma sensação de leveza... de sobriedade.

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  4. Quero leeeeeeeeer <3
    Você vai me levar a falência gêmea u.u

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    1. LEIAAAAAAAAAA!
      Você me leva a falência sempre. Acho justo u.u KKKKKK

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    2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk é né? <3

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  5. eu comprei O Livro O Ultimo Adeus da Autora Cinthia Hand
    da Dark Side na Livraria Cultura vou receber semana que vem
    amei sua resenha

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    1. Olá, Claudio!
      Que bom que gostou, fiz com muito carinho. É um livro muito bom, espero que goste tanto quanto eu <3
      Bjs

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  6. Eu quero ler!
    Como faz pra ler toda a minha lista de leitura??
    Bjos

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  7. Olá Amanda esse livro é muito bom, e me emocionou bastante, sobre depressão é um problema muito sério e que deve ser tratado com atenção. Bjs

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Laura Lendo...

Lud Lendo...

Luiza Lendo...