[Resenha] A Garota Dos Olhos Azuis - Karin Slaughter

A Garota Dos Olhos Azuis
Flores Partidas 0.5
Uma linda garota caminha pela rua quando, de repente...
Julia Carroll sabe que muitas histórias começam assim. Bonita, inteligente, dezenove anos e recém-chegada à faculdade, ela deve tomar cuidado. Mas, mesmo com todo cuidado, ainda está apavorada, porque várias meninas estão desaparecendo.
Uma colega sua, Beatrice Oliver, desapareceu. Assim como uma moradora de rua chamada Mona-Sem-Nome. As duas sumiram no meio da rua, sem deixar vestígios.
Julia não quer ser a próxima... Sua única saída é descobrir as razões por trás desses mistérios.

"... mas a verdade era que ela estava morta de medo por saber que alguém - não qualquer pessoa, mas uma garota de sua idade - podia sair de casa e nunca mais voltar."
Eu não sou uma ávida fã de mistérios. Por que não gosto de coisas sangrentas ou macabras? Não, porque sou muito ansiosa e impaciente. Eu quero saber o que está acontecendo e tenho um problema com spoiler, eu não gosto de spoiler e nem de pular páginas - nem mesmo aquelas séries onde você pode sair da ordem. Minha gêmea, Daiana, sabe quantas vezes eu briguei com ela por ela fazer isso, especialmente em um livro que eu tinha indicado.

Mas gosto de diversificar, eu detesto me prender a um gênero, sempre achei que isso era me limitar, então aqui estou eu. Esse é um prequel da série Flores Partidas que deve estar saindo em Junho desse ano pela HC. 

Julia tem dezenove anos e é universitária. Ela é uma das redatoras do jornal da faculdade e quando começa a ouvir sobre os desaparecimentos, fica intrigada e assustada. Todas as garotas que desapareceram tem a mesma faixa etária que ela e de boa aparência. Alguma coisa na história atiça os instintos investigativos de Julia. Ela quer escrever sobre isso, mas simplesmente não tem confiança e dados o suficiente para levantar a questão, então começar a pesquisar sobre os desaparecimentos e a reunir esses dados.

A Julia é uma personagem pouco carismática, a menos ao meu ver. Achei ela extremamente passiva e insegura para sua idade, mas não apenas isso, ela tem essa coisa de se preocupar tanto com  o que os outros vão pensar; se algo é certo ou não, não de acordo com sua própria ideia de certo ou errado, mas com a ideia imposta pela sociedade de uma forma geral. Ela está tão preocupada em sempre passar despercebida e projetar a imagem de uma boa menina que ela deixa com que os outros passem por cima dela. Isso me deixou muito frustrada e... com raiva mesmo. É quando ela vai finalmente apresentar a ideia ao "chefe", por assim dizer, que ela finalmente mostra um pouco de atitude.
"- Por que sempre tem que girar em torno de como os homens são ruins?
- Não tem...
- Nós entendemos - disse Greg. - Você é feminista.
- Eu não,..
- Você nos odeia porque temos paus.
- Pare de me interromper! - O punho de Julia batendo contra a mesa ecoou como um tiro. - Não odeio vocês porque têm um pau. Odeio vocês porque são uns idiotas."
Finalmente! Foi o único momento onde eu vi que ela se permitiu expressar um pouco do que sentia e do que realmente pensava. E também o que me fez pensar que ela não era de todo um caso perdido. 

O livro também traz outros questionamentos como a prática sexual. Há um trecho onde a Julia fica meio surtada com isso e que também reflete bem a forma reprimida como ela agia durante boa parte do livro:
"Conseguiria mesmo fazer isso? Deveria fazer? Robin ainda desejaria ficar com ela se ela cedesse a ele? E podia dizer que estava cedendo a ele se era algo que ela também queria?Porque queria. Mesmo por baixo de seu pânico, ela sabia que queria. Então, isso significava que ela era uma mulher má, ou uma mulher liberal, ou uma provocadora, ou puta?"
Agora, eu não estou aqui pra entrar no mérito do que é certo ou errado, porque acho que isso vai da cabeça de cada um. Não há nada errado com aquela garota que quer esperar até o casamento, assim como não há nada errado com a garota que tem certeza que encontrou o cara certo e está pronta. Até mesmo aquela que simplesmente quer fazer porque sim. Mas esse é o tipo de decisão que a gente toma de dentro pra fora e não ao contrário, porque a única pessoa que vai assumir as consequências, seja elas quais forem, será ela mesma. É seu papel analisar o que é ou não melhor pra você mesma e isso não se trata de feminismo ou mesmo apenas de independência. Se trata de liberdade. Da sua vida. Porque com arrependimentos ou não, a gente está aqui é para aprender mesmo.

A vida é feita de tentativa e erro. E amanhã ou depois não poderemos culpar a ninguém além de nós mesmos pelo que deixamos de fazer com medo do que os outros poderiam pensar. Indiretamente o livro te faz pensar nessas questões, enquanto nos envolvemos no mistério das garotas desaparecidas e na vida da própria narradora.

Eu fiquei curiosa pela forma como o prequel terminou e já resolvi que vou acompanhar a série, embora eu espere que futuramente as personagens sejam mais combatentes ou aguerridas como diria meu professor.



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