29 julho 2015

[Resenha] Eu te darei o sol


Eu Te Darei o Sol  
Jandy Nelson 

 Skoob Autora Compre




 Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia.Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.
"Sempre pensei que o paraíso seria estranho mesmo. Todas aquelas pessoas boazinhas, certas de si e moralmente corretas."

Quando eu li O Céu está em todo lugar (tem resenha aqui no blog!) eu lembro de pensar que ele era tão lindo e tão sensível que era como se ele fosse um poema gigante. Se O Céu está em todo lugar era um poema, Eu te darei o céu é uma obra de arte. É incrível a forma que a Jandy tem de absorver as coisas e ver o mundo e nos fazer enxergar o mundo como se fossemos um de seus personagens, de repente você percebe que tudo parece mais vivo. Esse é o super poder da Jandy. Palavras da própria: Essa é uma história sobre paixão e prazer artístico, sobre o impulso arrebatador... sobre metades.
"O coração não ouve a razão. Ele não segue as leis ou convenções ou as expectativas das outras pessoas."
Nessa história, temos dois irmãos gêmeos. Eles sempre estão competindo um com o outro, como a maior parte dos irmãos faz - me lembrou uma coisa muito verdadeira que eu li em Gelo Negro! A relação entre dois irmãos é mais ou menos assim: eles se amam, mesmo que às vezes não gostem muito um do outro. Engraçado, mas muito verdadeiro. Eles tem até uma brincadeira de que eles dividem o mundo entre si: árvores, céu, mar, enfim. Eles fazem isso desde pequenos (o Noah está ganhando! Kk')
"— Eles fizeram um belo trabalho ao preparar você para se passar por um terráqueo — digo. 
Ele dá um meio sorriso. Noto uma covinha que não tinha visto antes, no alto da bochecha.— Sem dúvida — diz ele. — Eles me prepararam bem. Até joguei beisebol. — Ele joga uma pedrinha na água. Eu a observo afundar. Ele arqueia a sobrancelha para mim. — Você, por outro lado...
Pego uma pedra e a jogo no mesmo lugar onde a pedra dele desapareceu.
— Sim, nenhuma preparação. Eles simplesmente me jogaram aqui. Por isso é que sou tão perdido. — Eu pretendia fazer uma piada, mas saiu como uma coisa séria. Saiu como verdade. Porque é mesmo."
Noah tem um talento incrível. A mente dele funciona o tempo todo voltada para a arte, para a criatividade, ele está o tempo todo recriando e colorindo o mundo inteiro. É fascinante (preciso mesmo dizer qual dos dois irmãos eu mais gostei?).
"É possível que ele tenha me encantado. Acontece. Há pessoas que são encantadoras"
Jude é talentosa, mas por estar sempre à sombra de Noah, ela se sente muito insegura sobre seu próprio talento. Muitas vezes desdenhando do irmão e da arte. Muitas vezes ela mesma pergunta a ele porque ele é tão estranho, porque age daquela forma, nem porque o ache tão estranho assim, mas porque morre de ciúmes da ligação dele com a arte e de como isso o aproxima da mãe deles, que ama arte tanto quanto ele. Às vezes ela só parece querer gritar: "Eu também estou aqui! Também sou uma de vocês!". 
"Acho que se pode desviar na vida e é difícil encontrar o caminho de volta."
Os dois erram muito e sabotam muito um ao outro por ciúmes. Os dois simplesmente queriam ser amados por ambos os pais, mas sentiam que sendo eles mesmos só poderiam agradar um ou outro. O Noah pensava que não tinha coragem o bastante (o que frustrava o pai) e a Jude era intrépida demais (o que assustava a mãe). O que serve também como um alerta para os pais, para serem mais compreensivos, mais amigos dos filhos e menos repreensores sobre tudo. É impossível ser perfeito.

"Penso no que a psicóloga me disse, que eu era uma casa na floresta, sem janelas nem portas. Sem jeito de entrar ou sair, disse ela. Mas ela estava enganada, porque paredes desabam."
Esse livro me surpreendeu várias vezes, sobre como as coisas nunca são exatamente como parecem. Essa é uma premissa básica dele. Como é fácil a gente tomar uma coisa por outra ou realizar pré-julgamentos baseados em partes de uma vida inteira.
"Não sei como isso é possível, mas é: uma pintura é ao mesmo tempo exatamente igual e completamente diferente todas as vezes que você olha para ela. É assim que as coisas são entre mim e Jude agora."
O Noah é o mais sensível dos dois, ele tem essa paixão explodindo dentro dele o tempo todo, um impulso arrebatador que te arrebata também. Ele sofre bastante com bullying na escola e fora dela. Ele sente atração por outros meninos e ele no começo não entende por que se sente assim, às vezes ele até quer se sentir de outra forma, mas ele não consegue. Às vezes tudo o que eu queria era poder entrar no livro e dizer que estava tudo bem ele se sentir dessa forma. É esse o efeito que ele causa na gente, sabe?
"Ocorre-me que Jude faz isso também, muda quem é dependendo de quem está com ela. São como sapos mudando a cor da pele. Por que eu sou sempre eu mesmo?"
A Jude é aquele tipo de garota. O tipo de garota que monta o dragão e vai atrás do príncipe. Ela gosta de surfar, gosta de mostrar seu corpo, de flertar e não tem medo de viver. Ela esconde bem, mas ela gostaria de ser mais como o Noah, de impressionar a mãe deles, mas sempre que ela tenta, acaba frustrada e com ainda mais raiva. Dele, dela... De si mesma. E acaba se rebelando mais contra a mãe deles, que está sempre questionando se aquele é o tipo de garota que ela realmente quer ser. Ela só quer ser ela mesma. Mas quem ela realmente é?
"O que faz você dizer o contrário do que todas as células no seu corpo querem que diga?"
Uma coisa que eu também amo nos livros da Jandy é os personagens coadjuvantes. Eles são fantásticos! Morri de rir com o Igor bêbado, com o Oscar (meu Deus, que gato!), com o Brian! O Brian é simplesmente muito fofo, gente. Ele vive no espaço, ele gosta de caçar pedras e enfrenta valentões com elas, é incrível! Essa é também uma história sobre esperança, amor, perdão, segredos destruidores... Sobre como é fácil desviar do caminho que seguimos e entrarmos em uma estrada completamente desconhecida. Leiam, vocês vão amar!

"Algumas pessoas simplesmente foram feitas para estar na mesma história".

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16 comentários :

  1. Que resenha linda! Adorei os quotes e já estou louca para ler este livro. Beijo!

    literarizei.blogspot.com

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    1. Oi, Milena!
      Obrigada *----*
      Espero que goste tanto quanto eu <33

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  2. Faz tempo que este livro está em minha lista de leitura e to querendo lê-lo, o título inicialmente me chamou muito a atenção e a história parece ótima, sua resenha está muito boa, pretendo ler o livro em breve.

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    1. Oi, Mariele :D
      Leia, sim. Vale muito a pena. Na verdade, a galinha inteira kk'
      Beijos ;)

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  3. Uauuu. Adorei
    quando vi esse lançamento nao tinha me interessado, mas depois dessa resenha linda ele certamente avançou algumas posiçoes na minha lista infinita!

    Tambem li o outro do autor e gostei!
    E eu acho q este aqui tb vai me conquistar.
    valeu a indicaçao!!!

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    1. Pois é, eu li praticamente um atrás do outro.
      Eu me apaixonei perdidamente por "O Céu está em todo lugar" e até fiquei meio assim com o novo, porque não acreditava que pudesse ser melhor.
      Mas é *-*

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  4. Pela resenha deu pra ver que você gostou muito desse livro.
    O nome do livro é lindo *_*
    Gostei da premissa! Pela capa não tinha me interessado mas sabendo a sua historia já estou animada para conhecer melhor o Noah e a Jude.

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    1. Oi, Thaísa!
      Gostei mesmo, viu? Ele é bem diferente de vários que eu já li. Essa autora tem um jeito de escrever que mexe muito com a gente e os livros dela são sempre muito profundos *-*
      Espero que goste deles também!
      Beijos ;*

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  5. Incrível!! Adoro dramas familiares e quando vi esse livro nos lançamentos fiquei louca por ele. Adorei saber que por trás de toda a história ele ainda nos traz reflexões sobre a brevidade da vida. Fiquei com ainda mais vontade de lê-lo!
    Abçs Amanda!

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    1. Oi, Alessandra :D
      Eu geralmente não curto muito, mas a Jandy soube equilibrar bem a história para não ficar maçante *-*
      Bjs.

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  6. Você falou tão bem desse livro em sua resenha que estou pensando em ler.
    Gosto muito de livros assim, com problemas familiares. Acho que vou gostar dessa leitura também.
    :*

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    1. Oi, Kelis!
      Que bom que gostou *-*
      Leia sim, tenho certeza que vai gostar ;)
      ;*

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  7. Faz tempo que eu não leio um livro com essa premissa de problemas familiares.
    Achei bem interessante, parece ser uma leitura muito profunda.
    Acho que vou gostar de ler desse livro.

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  8. Oiii
    Eu tinha visto a capa desse livro e nem dei muita importância,mas vendo essa resenha to louca para ler ele agora.
    Como dizem nunca julguem um livro pela capa :)
    Bjs

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    1. Oi, Larissa :D
      É verdade, a capa engana bastante, tanto de forma positiva quanto negativa.
      Espero que goste sz
      Bjs

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