[Resenha] Refém da Obsessão - Alma Katsu

Alma Katsu
Refém da Obsessão
Trilogia Taken - Livro 2
Havia uma parte em Lanny que queria ser punida. Um pedaço de seu coração que acreditava que ela merecia o horror de ser imortal, a tristeza de ver todos aqueles que amara partirem, enquanto ela só podia conviver com as perdas e as lembranças. Terríveis e solitárias lembranças. Este “dom”, oferecido pelo mais malvado dos homens, Adair, era, para ela, a resposta a uma pena que ela deveria cumprir. Mas, apesar das culpas e do castigo que pensava merecer, ela ainda sonhava. E esperava ser redimida por ter dado a Jonathan — seu grande amor — o esquecimento que purifica todo ser de sua dor: a morte. No entanto, bem no fundo de sua alma, ela suspeitava que, fosse o que fosse que a atraísse para Adair (e para sua maldade), fosse qual fosse o infeliz sentimento que os aproximara, este sentimento não fora totalmente exorcizado. Não importava que ela tivesse chegado ao cúmulo de emparedar aquele homem mau e deixá-lo para apodrecer, não importava que o tempo tivesse passado, nem que, hoje, ela pudesse contar com o apoio e os braços fortes e acolhedores de Luke... Adair estava por perto, ela podia senti-lo, e seu poder era inexorável. “Este é o segundo livro da trilogia de Alma Katsu, que começou com o bem recebido Ladrão de Almas. Esta sequência mantém-se fiel ao primeiro título da autora...” --Publishers Weekly


 Bem, no livro 1 da trilogia, afirmei aos queridos e queridas leitores do blog que estava em uma dúvida terrível: gostei ou não gostei do livro? Eis a questão! Para tirar a dúvida, comecei a leitura do segundo livro e... bem, prometi a mim mesma que não contaria spoiler, então vamos lá:
A história se inicia três meses após a fuga de Lannore e Luke, ele ajudando-a a desfazer-se de algumas coisas do passado. O sentimento que Luke sente por ela só se aprofundou nesse tempo que estão juntos. E Lannore aos poucos vai se adaptando à perda de quem ela considerava o grande amor da sua vida, a sua obsessão que a guiou durante séculos, voltando-se cada vez mais para Luke.

Eu precisava de Luke. Ele era meu porto seguro, meu ombro amigo; impediu-me que me fechasse em mim mesma, esmagada pelo peso do que havia acabado de fazer. Pela primeira vez em muito tempo, estava com alguém que cuidava de mim, que me fazia feliz e me protegia. (...) Seu toque forte fazia eu me sentir segura, e havia algo em seu comportamento — talvez fosse a confiança de médico — que me encorajava a seguir adiante com minha vida. Sem ele, talvez tivesse me transformado em um poço de tristeza e sofrimento.

            Como nem tudo são flores, quem ressurge das cinzas? Aquele que se diz o dono da sua alma, Adair. Ele permaneceu duzentos anos preso, graças a Lannore, para acordar em um mundo totalmente novo, moderno, estranho a ele. E com um único objetivo: encontrá-la e iniciar sua vingança.

Agora, de novo em posse desses feitiços, se tornaria aquele homem novamente. Retomaria o poder, reconstruiria seu reino — pois fora um reino tanto quanto o ducado de seu pai, com castelos e riqueza, um séquito de cortesãos, conselheiros e bobos da corte — e retomaria suas conquistas. Começando por Lannore McIlvrae.

            A partir do momento que Lannore sente a conexão que a liga a Adair ser retomada, ela tem somente uma única certeza: fugir, pois, conhecedora de sua alma violenta e testemunha dos seus atos atrozes do passado, ela é completamente tomada pelo medo e deixa tudo para trás, em uma busca para conhecer técnicas ou feitiços capazes de detê-lo.
Como sempre, a personagem demonstra sentimentos confusos, não há uma definição ainda do que ela sente com relação a Adair, além do medo que a impulsiona a fugir dele.

Por um momento, o interior de minha cabeça girou como um pião; talvez fosse meu mundo virando de cabeça para baixo e se despedaçando ao meu redor. Sempre me orgulhei de seguir meu coração, mas eu não iria, não podia aceitar isso. Era um desejo desvairado ou algum tipo de atração doentia fantasiada de amor. Era algum truque, um dos feitiços dele para me fazer pensar que o amo. Era a insanidade trazida pela morte de Jonathan. Não podia estar apaixonada por um monstro. Não me permitiria estar apaixonada pelo demônio. 
            Enquanto isso, Adair passa a definir e nomear sua obsessão por Lannora enquanto a procura incessantemente, e enquanto a narrativa evolui, o leitor percebe cada vez mais o homem violento e contraditório que ele é. Quem disse que os psicopatas não se apaixonam?

Adair amava Lanore e também a odiava, mas era incapaz de se vingar dela; estava cada vez mais determinado a encontrá-la. Seu amor por ela era sublime e também uma maldição cruel, corria em suas veias como uma infecção. Não precisava de mais provas para saber que estava condenado, incapaz de ser redimido e amaldiçoado, e que não havia nada que pudesse fazer sobre isso.
           
            Inevitavelmente, Lannore é encontrada e forçada (será?) a viver com seu algoz, que toma uma atitude surpreendente com relação a ela, passado algum tempo. (Não posso dizer, prometi não contar spoiller).

— Quando você se apaixona, Lanore, apaixona-se loucamente: nós dois já vimos esse poder em funcionamento. É esse amor que quero de você. Como já vi não só uma, mas duas vezes, não serei capaz de aceitar menos do que isso. Não posso me satisfazer com a companhia pálida e cortês que tem me dado. Então, resolvi me tornar digno do seu amor. Preciso descobrir o que é necessário para que você me dê esse amor. Sei que tudo deve ser diferente. Tudo o que aconteceu no passado não funcionou, então, eu preciso mudar. (...)

            O livro, semelhante ao primeiro, intercala narrativas entre o passado e o presente. Infelizmente, Luke assume um papel mais secundário nesse livro, a narrativa centrando-se mais em Adair e Lannore. Mas não é uma narrativa cansativa, a autora soube desenvolver bem a história, de forma que passado e presente se entrelaçam para justificar atitudes dos personagens.

            Agora só nos resta esperar pelo terceiro livro para saber finalmente para quem os sentimentos da personagem irão se definir. Claro que estou torcendo pelo coitadinho do Luke, mesmo depois de... (quase conto!)

            Boa leitura e até a próxima!

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