04 julho 2013

Entrevista: Martinha Fagundes





Brasiliense que ficou conhecida na net por postar em seu blog resenhas, ou como ela costuma chamar, “divagações” sobre livros, de forma bem divertida, atraindo o público fã de romances. Posteriormente, passou a escrever contos que foram encantando o público leitor em geral.
Estamos falando de Martinha Fagundes, que sob o pseudônimo de M. S. Fayes, lançou este ano seu primeiro romance, Tapete Vermelho.











ELB: Martinha, primeiro você surgiu como blogueira, fazendo resenhas. Como foi dar o passo de resenhista para escritora de contos e romance?

MF: Na verdade verdadeira, o Tapete Vermelho foi escrito antes de eu sequer me aventurar no mundo blogosférico. Eu tive um momento mágico de inspiração e escrevi em três meses o livro. Deixei ali, engavetado devidamente no PC. Para conseguir testar o potencial dos meus textos, e saber se as pessoas poderiam curtir meu estilo, acabei escrevendo as crônicas intituladas "Divagações de Martinha". A ideia de promover uma coluna semanal foi totalmente da Lilith que acabou me abrindo um grande espaço na internet, já que seu blog era bombado. Depois fui me aventurando pelos contos singelos...e daí...

ELB: Sabemos que você tem contato com vários leitores com diversos gostos literários. Isso, de alguma forma, a incentivou a escrever?

MF: Sabe que os contos foi um lance que surgiu de ideias das próprias leitoras, né?! Eu fiz uma divagação sobre os costumes de épocas que lemos tanto em nossos livros históricos e as meninas sugeriram ou perguntaram se não havia um livro onde um lorde do passado acabasse em nosso século, tipo Kate & Leopold, o filme. Daí, resolvi criar uma história e ir postando capítulo por capítulo no blog. Então...o incentivo a escrever mais e mais surgiu daí.

ELB: Como surgiu a ideia de fazer um livro ambientado no show business, como o Tapete Vermelho?

MF: Puxa vida...eu sou completamente fascinada pelo mundinho das celebridades e seu glamour enrustido. Eu reconheço um ator ou atriz de longe , sei os nomes e quais filmes atuaram ( mas não faço versão tiete, hein? Eu simplesmente finjo um "tô nem aí, nem te ligo"). Eu acho interessante imaginar como deve ser a vida cheia de luxo, glamour, festas, barracos, fotos e bla bla bla. Mas adoro imaginar também que ali são pessoas que vivenciam conflitos como os nossos, às vezes. Então eu fantasio pra caramba sobre o assunto. Daí a querer criar uma história plausível foi um pulo.

ELB: Não pudemos deixar de notar que a mocinha do livro, Marina Fernandes, tem as mesmas iniciais do seu nome. O que mais você colocou de si mesma na personagem?

MF: Caracas...você sabe que isso foi totalmente uma freak coincidência?! Juro. Meu marido sugeriu o nome porque ele acha lindo. E o Fernandes veio de supetão. Tenho algumas amigas Fernandes. Eu queria um sobrenome estrangeiro, mas que soasse algo latino. Fora isso, fiz questão de montar o biotipo bem brasileiro de uma garota brasileira. Calhou que a descrição se assemelha a minha pessoinha. Pode até ser que no meu subconsciente eu tenha ficado pau da vida porque nunca consegui me ver retratada numa descrição de alguma heroína...aí eu quis aloprar...hahahah...acho que a personalidade desprendida dela e o bom humor também são impressões minhas. Não adianta...nós nos colocamos muitas vezes em algumas características e pensamentos de nossos personagens criados de nossa imaginação.

ELB: Tapete Vermelho é uma leitura voltada para todas as idades, mas você pretende escrever algum romance voltado exclusivamente para o público adulto?

MF: Hell Yeah...hahahah...nada muito hot ou erótico porque não é minha praia...mas já tenho um manuscrito bem bacana que alcança um público mais adulto.

ELB: Já tem algum projeto futuro como escritora, a ser brevemente lançado?

MF: Tá em vias de arranjos. Hahahaha... está pronto, mas eu estou segurando...acredito que esteja com ciúmes de soltar o mocinho ...

ELB: Alguns contos que você escreve no blog abordam temas sobrenaturais. Você ainda pretende escrever um romance nessa linha?

MF: Never. Embora nunca devamos dizer Nunca para as coisas, certo? Mas eu acho suuuuper difícil escrever nessa linha. É bem complexo porque você tem que fazer uma viagem psicodélica muito doida pra imaginar altas cenas complexas que renderiam momentos magnânimos no reino sobrenatural. Eu gostei de criar meus Cavaleiros super simpáticos e gatinhos, mas confesso que não me ambientei muito não. É difícil pra caramba. Dou os parabéns para as autoras de romances sobrenaturais que conseguem criar enredos densos e cheios de contexto e que conseguem manter a linha.

ELB: Como você “divagaria” o Tapete Vermelho em poucas linhas?

MF: Sério? Poucas linhas? Tá brincando comigo, né?! Não tem nem uma dica tipo redação de vestibular com limite mínimo e máximo de linhas? Hahahahaha...
Sei lá..."Garota super sexy e bacana, cheia de vida e atitudes acaba se deparando de maneira despretensiosa e super original, em um cavaleiro de armadura brilhante que sustenta a alcunha de astro do cinema mundial. Além de podre de rico, o cara é lindo e absoluto. E super charmoso e fantástico. Logo, essa mocinha é sortuda pra carái. Eu numa viagem dessas estaria no paraíso! Mas isso não aconteceu comigo...embora a Marina possa vivenciar a experiência...heheheh...Essa mocinha é fantástica, nada tapada, ingênua ainda em algumas coisas, mas destemida em suas decisões. Ela vive o agora e muitas vezes pode até se perguntar pelo amanhã, mas não empaca no passado. Falei lindo agora, né?! Divagando sobre os dois, vejo um casalzinho bacana. Um romance singelo que deixa um gostinho de saudade quando terminamos de ler".  E aí? Ficou no ritmo de uma divagação errante?

ELB : Quando você decidiu se tornar escritora?

MF: Eu sempre fui uma criadora de histórias. Embora fossem todas concentradas em quadrinhos de gibi. Eu mesma gostava de criar meus enredos e finais felizes. Ler sempre foi um vício, mas nunca antes tinha me atrevido a criar realmente uma estrutura narrativa. Quando terminei de ler a série Crepúsculo ( é...eu surgi daí também...embora minha história não tenha se originado de uma fanfic, hein? Eu nem sabia o que era isso...) me identifiquei com a autora. O estilo de vida, a formação em Literatura, dois filhos pequenos e uma necessidade de desanuviar a cabeça da rotina do dia-a-dia. Pensei com meus fio roxos de minha cabeça: "Se ela pôde criar esse fenômeno de um sonho, porque u não posso simplesmente imaginar um mote e dele criar uma história? Dar vida à fantasia de milhares de mulheres???".

ELB :Qual é o autor que você mais admira?

MF: Se você acha que vou responder Platão ou Sócrates para posar de cult...mse enganou...hahahahahha....totalmente assumo com muito orgulho que minha autora favorita é e sempre será Nora Roberts. Ela é absolutamente uma máquina quente de criar histórias. Sejam boas, medianas, lights, flrozinhas, açucaradas, densas...o que for. Algumas histórias são excepcionais, outras passam batido...mas ela é Nora Roberts. Diva.


ELB :Tem alguma obra literária que lhe tocou de maneira especial?

MF: Putz...não consigo me centrar em apenas uma obra, um livro...sei lá. Tantos. Mas acho que o que mais vai ficar marcante pra mim é "Whitney, meu amor", porque foi em busca dele na internet que acabei me deparando com o blog da Lilith e dali acabei concretizando um sonho nunca antes imaginado, além de ter podido ter a chance de conhecer amigas sensacionais e virtuais. A busca pelo Santo Graal da minha vida literária. Hahahahahah...

ELB :Você possui algum gênero literário favorito?

MF: Amo os contemporâneos básicos. Mocinho mega rico e esnobe conhece mocinha pobre de dar dó, mas bonita por dentro e por fora. Rola um sentimento lindo e mágico, ou então um ódio irracional que deságua em momentos ardentes entre lençóis de linho branco. Um mal entendido muito louco põe fim ao romance, mas nos finalmentes, tudo se ajeita de maneira linda e piegas. Adooooooro livro assim...se a mocinha se estrupiar no livro e o mocinho se condoer de remorsos, aí é que eu gosto mesmo! Hahahahha...tenho uma veia meio psíca, né?!.
Mas não posso deixar de falar que amo históricos, cowboys gatos, motoqueiros selvagens, policiais suados, militares orgulhosos, históricos com libertinos safados e redimidos , sobrenaturais delícia, e ....nossa....acho que tudo basicamente....hahahahahah...só não curto romance parvo ou com bizarrices sinistras.

ELB :Tem algum personagem de livro com o qual você se identifica? Se sim, por quê?

MF: Nossa...tantas. Hahahah...Mas eu identifico muito com mocinhas extremamente divertidas e que tiram sarro de tudo basicamente. Quem me vem à cabeça neste instante é a Tabitha dos Dark Hunters. Embora eu não seja gótica e louca como ela, acho que suas gaiatices e tiradas me retratam lindamente. Toda mocinha cheia de piadas insolentes me retratam. Hahahahaha...eu perco o amigo, mas não perco a piada. Esse é meu lema.

ELB :Em sua opinião, quais são os benefícios de se ler um livro?

MF: Cara...existe melhor coisa do que viajar e conhecer os lugares sem sair de casa? Óbvio que existe...viajar e ir conhecer os lugares ao vivo e em cores...hahahaah...mas enquanto não dá pra levar uma vida tão livre, leve e solta assim, quer melhor coisa que conhecer diferentes culturas, histórias, lugares, estilos e etc? Podem dizer o que for... que nossos livros são cultura inútil e fútil. Eu não tô nem aí. Eu conheço o período da regência de cabo a rabo, sei a hierarquia das classes inglesas, geograficamente eu sei onde fica tudo e ainda aprendo sobre um monte de coisas. Ultimamente nos romances NA tenho conhecido muitas músicas ( as autoras adooooram citar...), decorado nomes de bebidas e de vinhos de bacana ( as autoras adoooooram embebedar os personagens...), conhecido modelos de carros e motos e deixado meu marido de boca aberta ao identificar o dito cujo na rua e etc. Tantas coisas podemos conseguir lendo um livro...o melhor disso tudo é poder se abstrair dos perrengues do dia-a-dia e deixar a cabeça viajar legal...

ELB :Publicar um livro de maneira independente é algo extremamente trabalhoso. Poderia contar um pouco de como foi essa experiência?

MF: Trabalhoso e custoso. É praticamente um parto cesáreo num hospital particular e sem o seu convênio...hahahahahha...se vocês não sabem o que é isso, amigas...é foda...embora eu graças a Deus não tenha passado pelo drama. Mas enfim...é um parto praticamente. Desde o momento em que você envia seu manuscrito para as editoras sonhando que elas vão te querer, até o momento em que você percebe que a realidade do mercado editorial brasileiro é outro. Tive a sorte de me deparar com uma editora e um editor maravilhoso que abriu uma exceção para mim, já que eles não publicam romances de ficção como linha central. Eu investi? Claro. Um pouco, até mesmo porque é um tiro no escuro uma editora pegar um autor desconhecido e mandar bala nele, gastando horrores em impressões e divulgação. A gente investe nosso dinheiro, tempo e sonhos. Expectativas. Muitas vezes a gente investe a saúde e até as unhas da mão ( porque rola uma roeção loooouca...hahahah).

ELB :Qual a melhor parte de escrever e de ver este livro publicado?

MF: Puxa...é como ver um filho alçando voo...não que seu filho seja uma águia, ou algo assim... hahahahah...mas é como ver um fruto de um trabalho seu nas mãos de tantas pessoas por aí afora, sendo lido, admirado, resenhado, adorado, detestado ( essa parte é péssima, mas existe...hahahaha...), mal falado ( essa parte abafa também...) e guardadinho na estante de tantas pessoas.
Isso é muito legal. Ver as pessoas dizendo que curtiram a história e te botando pra cima, te incentivando a prosseguir...isso não tem preço. Nem Mastercard cobre essa emoção...


ELB :Porque é que os leitores devem ler seu livro?

MF: Porque ele é muito legal? Hahahaha...a modéstia me persegue...
Acho que o próprio aspecto de você incentivar um escritor nacional já é válido. Sei lá...mesmo que leiam para meter o pau...hahahah ...não...isso não é legal...
Leiam para formar uma opinião e poder perceber que temos muitas autoras boas entre nós. Cara...eu descobri um monte. Carina Rissi virou minha ícone master. Não deixa a desejar para nenhuma autora chick lit. Espero alcançar o patamar dela ainda...

ELB :Como é o seu contato com os seus leitores?

MF: Eu amo meus leitores mega fofos...faço o possível e o inimaginável para ser acessível a cada um deles. Respondo emails, mensagens e até cartinha com autógrafo adesivado eu enviei para os meus cativos...eu faço questão de ser e continuar a mesma pessoa que sempre fui com cada um.

ELB :Como autora, qual é seu maior sonho?

MF: Além do básico de conseguir ser rica tal qual Nora Roberts? Hahahahahah...meu sonho é poder continuar escrevendo. Tendo cabeça e muitas histórias ainda pra contar. Ser conhecida e reconhecida como uma escritora de renome? Claro...quem não sonha com isso? Mas acho que o principal é conseguir conquistar meu espaço a cada dia....esse é meu sonho. Ah...e sentar na cadeira do Jô e levar uma caneca para minha coleção. #prontofalei.


ELB :Para finalizar, você gostaria de deixar algum recado para as pessoas que estão lendo? Pode ser o que você preferir, um conselho, uma mensagem, uma dica, um poema, um sermão, um puxão de orelha, um desabafo, o que você preferir.

Além do fato de agradecer por terem lido até o final sem dormir? Porque eu praticamente escrevi um livro aqui nessa entrevista...hahahahah...sei lá...digo a todos que continuem lendo muito, adquirindo cada vez mais amor pelo nosso português amado, e que continuem incentivando as outras pessoas a investirem em autores nacionais, porque nós somos gente boa e limpinhos...hahahahahah...

E digo ainda...para participar ativamente do momento histórico em que vivemos....

"Dos filhos deste Solo és mãe Gentil...pátria amada Brasil"...

Nooooossa...tô tão patriótica hoje...hahahahaha...
     




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11 comentários :

  1. linda demais ,minha altora preferida ,amei a entrevista

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  2. Mzartinha Fagundes, sempre arrasando!!!
    Você merece todo sucesso!
    Beijos!

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  3. Amei a entrevista com a Martinha, uma escritora fantástica e pessoa divertida, só está faltando mesmo a imprestável da produção do Jô Soares pegar essa menina maneira e colocar sentada lá pra gente assistir. Que venham mais livros da MS Fayes porque já estou me coçando pra viajar junto dela, nesse mundo maravilhoso que nós leitores viciados amamos....

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  4. Ameii a entrevista!!! E essa frase dela:"Cara...existe melhor coisa do que viajar e conhecer os lugares sem sair de casa?" é tão eu! ♥

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  5. hahahahaha
    bixo essa garota eh hilária!
    ser amiga dela deve ser muito divertido ;)

    a divagação que ela fez sobre homens possessivos, lá na Lilith, juro, morri de rir!

    doida pra ler o livro dela e torcendo mto pelo ssucesso absoluto.
    merece ;)

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  6. Laird li tudinho e nao dormi hähähähähähä.A leitura de qualquer coisa que vc escreve,cria e divaga desce redondinha igual minha Weißbier hähähähähä .Bjksss :* Vc nasceu para brilhar !

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  7. Sou cada vez mais fã da Martinha. Beijos. AAdorei.

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  8. Muito boa essa entrevista com a Martinha Fagundes, o blog esta de parabéns por abrir espaço para uma autora em ascensão :-D

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  9. Nossa ela é muito hilária! Mesmo o livro não sendo nem um pouco o meu tipo, eu acho que leria só pra rir kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Parabéns Martinha! E sucesso sempre!

    =D

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  10. Eu conheço várias resenhistas que acabam virando autoras. Acho que a vontade de escrever começa com as resenhas e depois passa para grandes obras. Eu também pensando em futuramente lançar um livro, mas por enquanto fico apenas fazendo resenhas.

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