20 junho 2013

Entrevista: Adriana Vargas


Olá pessoal, hoje estamos apresentando mais uma autora Brasileira, espero que gostem, a Dri foi super simpática com agente e respondeu todas as perguntas. A entrevista foi quebrada em duas, porque a Dri tem 2 livros no mês dos nacionais. Obrigada Dri.




Nascida em 27 de dezembro em Anápolis, Goiás, veio para Mato Grosso do sul ainda pequena. Começou a escrever desde que aprendeu a ler, pois seus pais compravam enciclopédias infantis ilustradas para incentivar seu gosto pela leitura, enquanto as crianças brincavam no quintal.
Imaginava histórias que nunca viveu e as passava para o papel. Esses escritos, porém, eram escondidos debaixo do colchão. Ao serem revelados, venceu o seu primeiro concurso literário aos oito anos de idade, representando seu estado em nível nacional, o que lhe deu a segunda colocação no Concurso Mirim, realizado em 1978. Aos treze anos escreveu seu primeiro romance.
No ano de 2000 entrou para a Academia de Direito pela Universidade UCDB, sendo uma das alunas mais aplicadas do curso. Apaixonada por leitura filosófica, procurava por obras de autores como Platão e Hanna Arendt. Encantou-se com os Iluministas e as histórias das antigas civilizações. Participou de projetos, como o incentivo às cooperativas.
Fez Direito pelo senso de justiça que a alimenta e sempre haverá alguma lacuna em suas obras para ressaltar as misérias sociais e a busca por mobilização.
Julga-se morta quando se encontra em estado de falta de inspiração. Pretende escrever como amadora durante toda a sua vida, pois somente desta forma consegue se encontrar livre em sua escrita, escrevendo como quer e quando quer, como um mero desabafo do eu interior.
Hoje afastou-se das práticas forenses, buscando novos desafios, tendo uma parte de seu tempo dedicado arduamente aos seus livros e leituras de livros como filosofia, sociologia, civilizações antigas e ao trabalho que desenvolve em prol dos novos autores no Clube dos Novos Autores, onde é coordenadora geral.
A sua contribuição para com a literatura brasileira é ressaltar os valores escondidos longe da hipocrisia. Fala dos sentimentos como são e da vida como é. Nas entrelinhas de seus escritos estarão ressaltados os valores esquecidos pela marcha do capitalismo emergente.
Todos os seus trabalhos são palpados em pesquisa de campo junto à realidade dos comportamentos e traços característicos do que escreve, convivendo com as pessoas e situações. Questionadora por natureza, está sempre em busca de respostas.
Tem o ímpeto atrativo em escrever livros inspirados em acontecimentos verídicos.
Adriana desenvolveu um estilo literário ímpar, seus livros são marcados pela singularidade e inovação linguística. A escritora encabeça a lista de traços inéditos à literatura nacional. O fluxo da consciência indefine as fronteiras entre a voz do narrador e a das personagens, de modo que reminiscências, desejos, falas e ações se misturam na narrativa num jorro desarticulado, descontínuo, que tem essa desordem representada por uma estrutura sintática caótica. Assim, o pensamento simplesmente flui livremente, pois as personagens não pensam de maneira ordenada, e sim, conturbada e desconexa, ou seja, é a espontaneidade da representação do pensamento das personagens que caracteriza o caos de tal marca literária.
Aprecia a escrita de romances e discurso interior. Seus livros possuem o dom de nascerem viscerantes – em pouco tempo o leitor torna-se íntimo de suas personagens, criadas com o afã de cavar, no fundo do âmago, o sentimento capaz de dominar, jogar os leitores entre as suas palavras, em uma entrega não somente infinita, mas de profundidade. Este é o modo como vive e se relaciona com a vida.
Com participações e menções honrosas em vários concursos literários, acredita neste caminho para galgar as escadas tão dificultosas em um país cuja leitura ainda é um desafio.



Falando sobre você:

ELB: Fale um pouco sobre você. Seus hobbies, sua trajetória profissional, etc.

R: Não tenha nada hoje que não esteja ligado a minha vida profissional. Todo foco, expectativas, sonhos, projetos estão interligados ao universo literário. Inclusive minha família, que hoje trabalha comigo. Meus hobbies foram substituídos por um monitor do computador. Eu saio de caso uma vez por mês para ir ao salão de beleza, e das outras vezes, para fazer consultas ao médico e viajar para expor em algum lugar. A primeira e última pessoa do dia com quem falo, está ligada ao meio literário. Então... Minha vida é a literatura.


ELB: Você se identifica com algum personagem de seus livros?

R: Sim. Todas têm um pouco de mim. Clarice pelo seu jeito excêntrico. Eva por sua individualidade. Henaph por seu egoísmo. Vina por seu ciúmes.


ELB: Agora que você vem recebendo pedidos de parceria, como você considera a importância desse laço Blogueiros e você/livro?

R: Eu costumo dizer que minhas parceiras são minhas maiores aliadas, porque elas fazem por mim, aquilo que não estou conseguindo fazer ultimamente, e fazem muito mais do que isso, me ajudam em todos os sentidos. Somos cúmplices.

Falando sobre o Livro Vozes do Silêncio:

ELB: De onde surgiu a ideia de criar um livro que se passa no meio de uma Ditadura militar?

R: Eu sempre fui encantada pelos anos 50/60, e desde pequena ouço as músicas e especulo meus pais que viverem nesta época. Passei a ver filmes, documentários, conversar com pessoas que passaram por este período político, e descobri que meu interesse por este assunto é tão grande assim, porque morro de medo de vetarem a liberdade que tenho.


ELB: O Livro poderia ser apenas um romance, mas possui elementos místicos, porque a junção dos dois?

R: Porque eu e o misticismo somos a palma de uma mão só. Tenho grande identificação com esta filosofia. O metafísico fala dentro de mim, muito mais do que minhas próprias letras. Sou meio bruxa, meio pagã, meio ectoplasmática.


ELB: Porque os Beatles como trilha sonora do livro?

R: Porque meus pais eram fãs, ouviam as músicas deles o dia todo, e eu cresci imaginando o quarteto cabeludo correndo pelas ruas com aquele esquadrão de fãs correndo histericamente atrás deles. Sou tiete desde os 7 anos de idade.

ELB: Como foi pra você quando você pegou seu livro pela primeira vez nas mãos?

R: Eu chorei. Passou um filme de tudo, como foi, o que tive que passar, as duras críticas, as pessoas que torciam contra, meus filhos, o quanto minha família me apoiou...


ELB: Tem sido o que você esperava a aceitação do livro?

R: Não digo que não. Digo apenas que gostaria de ter mais tempo para trabalhar mais por eles. A falta de tempo não é minha aliada.


ELB: Como foi a escolha do nome do livro?

R: Num concurso que a parceira do blog Cia do Leitor fez, escolhendo o nome. Eu gostei, apesar de descobrir depois que existe um livro de filosofia que se chama As vozes do silêncio. Mas fiquei feliz que tenha sido um livro de filosofia, primeiro porque não tem nada a ver com meu livro; segundo porque simplesmente amo filosofia.


ELB: A capa é linda e chama a atenção, ficou do jeito que você imaginou seu livro?

R: Ficou perfeita. A cara da cigana, personagem da obra, que ainda me bota medo toda vez que me lembro dela.




Obrigada Pela Entrevista Adriana!
Para ler a resenha do Livro Vozes do Silêncio aqui.





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4 comentários :

  1. Adoreei a entrevista! Não conhecia essa autora, mas amei o que ela revelou para nós, leitores, sobre a profissão dela!

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  2. Adorei! Muito legal ela colocar um pouquinho de si em cada personagem... é como criar vários mundos e todos juntos equivalem ao seu.

    =)

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  3. É legal conhecer um pouco mais sobre os autores.Não conhecia seu trabalho,mas gostei da entrevista xD

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  4. Ela é uma incrível escritora, sua forma de escrever para mim é um tanto complexa, porém poética, eu amei ler O oitavo pecado

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