[Resenha] Sapphique

Esta resenha pode conter spoilers do livro 1, Incarceron (Resenha AQUI) 




Livro: Sapphique
Autora: Catherine Fisher
Série: Incarceron - Livro 02
Editora: Novo Século


 Sapphique começa dois meses após o fim de Incarceron, dando continuidade a este cenário: Finn escapou da Prisão com Claudia, o pai de Claudia, John Arlex, entrou na Prisão e levou consigo as duas chaves, Keiro e Attia ficaram na Prisão à espera de Finn para libertá-los.

Fora da Prisão, Finn percebe que escapar de Incarceron pode não ser a mesma coisa que ser livre. O momento tão esperado e pelo qual ele passou por diversos obstáculos, não tem se revelado ser tão doce como sonhara. Pelo contrário, o gosto amargo de seu irmão por juramento ter ficado para trás está cada vez mais atormentando-o. Isto, somado a toda a conspiração com que tem que lidar no dia a dia da Corte, todas as máscaras que é obrigado a vestir e todos os bons modos que têm que demonstrar, está tornando a vida de Finn um inferno, e ele se sente cada vez mais preso. Apenas as estrelas o confortam... Ele achou que iria se lembrar de tudo, que seus ataques iriam passar, que tudo iria mudar, mas estava tão enganado.... O inimigo agora é outro e este têm armas tão sujas quanto as que Incarceron utilizava. Conseguirá Finn resistir a tudo isso e cumprir o seu destino?

Claudia e Jared continuam tentando incessantemente reativar o Portal que seu pai selou quando foi para Incarceron, para que possam buscar Attia e Keiro, mas esta tarefa parece impossível, desde que não há nenhuma pista e a tecnologia de Incarceron é muito complexa para ser estudada em tão pouco tempo... E junto com tudo isso há toda a pressão da Rainha para que o Portal não seja reativado, e ela será capaz até de fazer uma proposta a Jared, uma tão irrecusável que ele não imagina o perigo que está correndo.

Tudo muda quando, no dia da coroação de Finn, aparece outro garoto, muito parecido com ele, alegando ser o verdadeiro príncipe. Por esta ninguém esperava. Claudia não tem mais certeza se Finn é mesmo Giles e nem mesmo Finn acredita mais. Porém, esta história reserva muito mais para a imaginação de todos nós.

Dentro de Incarceron, Attia e Keiro não acreditam muito que Finn um dia irá buscá-los e partem em busca de outra maneira de sair da Prisão. Uma antiga lenda sobre a Luva Perdida de Sapphique os atrai e os dois seguem o rastro até chegar a um mágico chamado Rix. Mais doido do que mágico, Rix afirma ter a luva, e Attia se disfarça para fazer parte de sua equipe e assim tentar obtê-la. Será que ela vai conseguir?

A Prisão revela-se um ser maligno além de todas as expectativas, mas, como todos, ela também tem um sonho. Incarceron deseja mais do que tudo poder um dia ver o Exterior, e vai manipular todos que puder para chegar ao seu objetivo, sendo capaz até de fugir e deixar todos lá dentro abandonados, sem luz, ar, comida.

E aí, quem vai impedi-la? Conseguirão Keiro e Attia escapar? Finn é ou não é Giles? Jared e Claudia conseguirão reativar o portal?

Muito ainda está para vir. Um impostor, uma guerra, uma luva, um traidor, uma esperança, um sonho. 

Sapphique vai te surpreender e o final é de arrepiar.


Posso com certeza dizer que este livro é muito melhor que Incarceron. Eu fiquei relutante em comprar, depois de não ter gostado tanto do primeiro livro, mas acreditei firmemente que este seria melhor rsrs

Pelas coisas já estarem relativamente bem introduzidas pelo livro um, Sapphique não teve aquela enrolação que encontrei em Incarceron, mas por outro lado... Eu achava de verdade que a história daria uma amadurecida e mudasse um pouco de foco. Só que não...

Toda a atenção da história é voltada para a verdadeira identidade de Giles, mesmo em meio a temas tão mais sérios. O tempo todo Claudia está preocupada em reabrir o portal para salvar os amigos de Finn e também seu pai.

Mas por trás disto há problemas tão mais urgentes. Eu fiquei até triste da autora não tê-los explorado mais. A Prisão está planejando fugir de si mesma, querendo abandonar todos dentro de Incarceron e deixá-los sem água, comida, ar. Milhões de pessoas morreriam. O Protocolo nos mostra a sua verdadeira face: para sustentar a farsa da era antiga, os pobres trabalham para alimentar os ricos e vivem em situações mais que precárias. Casebres de madeira completamente sujos, restos de comida, crianças magricelas e por aí vai. Acho que a autora poderia ter ido mais fundo nessas questões, o livro evoluiria MUITO.

Mas não, infelizmente a atenção ficou mesmo voltada para Finn/Giles e para a busca da tal luva que levaria Keiro e Attia para o Exterior. Mesmo sabendo o poder que esta luva daria para Incarceron, Keiro continuou na sua jornada, pois só pensava em si mesmo e não se importava com todos que podiam morrer. Viu! Pelo menos algum personagem mostrou como é a realidade! Pelo menos nem todos são fofos rsrs

E, da mesma forma que Incarceron, quando foi chegando perto do final, as coisas ficaram cada vez mais mirabolantes. Mas muito mesmo. Apareceu uma estátua de Sapphique, uma ponte de ferro super estreita, uma gangue só de mulheres, Rix mega hiper enlouquecido. Enfim, um conto de fadas, como o primeiro.

Mas o final... Foi de arrepiar. Muitos não gostaram pela sua brutalidade. Mas eu gostei, pelo choque de realidade, que não teve em dois livros, mas pelo menos em seu final tinha que ter. Antes tarde do que nunca. Rsrsrs Mesmo achando o final muito bom, eu não achei coerente com a história. Tudo foi contado como um conto de fadas (na minha opinião) e acho que todos esperavam um final de contos de fadas.

Sapphique ganhou uma estrelinha a mais que Incarceron, pois achei uma narrativa muito melhor, por conhecermos um pouco da história, o livro te prende desde o início e não há momentos maçantes.

A distopia só apareceu no final. E a mensagem foi bonita. A energia do mundo estava acabando e nem toda farsa do mundo poderia encobri-la. Jogos macabros e desafiadores foram capazes de manter as máscaras no lugar por muito tempo, mas nada é para sempre. Disto eu gostei... A mensagem foi entregue com sucesso.

E este final nos faz pensar muito na vida que levamos hoje, no tanto de energia que desperdiçamos. Muito disso é também para manter nossas máscaras, fortalecer uma posição que elaboramos em nossas mentes. Tudo muito superficial. 

Mas e aí? E quando acabar a energia? Será que a humanidade conseguirá se adaptar e viver como antigamente? Sem energia elétrica, vivendo completamente da natureza. E até lá, ainda existirá natureza? Ou só restarão escombros?

Esta foi a mensagem que o livro deixou para mim. Pensem!

Ao que tudo indica, a história de Incarceron termina aqui. A autora disse em seu site que, inicialmente não pensava em escrever uma sequência para Incarceron e que, ao decidir fazer, percebeu que não seria uma trilogia, um par de livros estava perfeito. Maaaas, nunca se sabe não é gente? Por mais que eu ache que não mereça uma continuação, pode ser que ela decida escrever sobre o pós-Sapphique...

"Ele escapou? Há um rumor sobre isto que é sussurrado na noite, um rumor de que ele continua preso nas profundezas do coração da Prisão, que os choros que nós ouvimos são dele, que suas lutas sacodem o mundo.
Mas nós sabemos o que sabemos."


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