12 abril 2013

[Resenha] Starters

Livro: Starters
Autora: Lissa Price
Editora: Novo Conceito

Um mundo em guerra, em que os países lançam mão de armas biológicas para derrotar seus inimigos. Essa é a história contada em Starters. Os Estados Unidos foram atacados por uma arma viral, os chamados esporos e, já sabendo da ameaça iminente, o país teve tempo de apenas vacinar a porção da população mais vulnerável à contaminação: jovens e idosos. Sendo assim, os adultos com idade entre 30 e 60 anos não foram vacinados e morreram todos. O status é o seguinte: idosos com idades que variam de mais ou menos 80 a 250 anos dominam a sociedade e são chamados de Enders. Crianças e jovens são chamados Starters. 

Uma sociedade doente, onde os Starters, que perderam toda a sua família, são caçados e colocados em instituições, que mais parecem prisões. E os que ainda possuem avós vivem como reis. E é neste cenário amedrontador que se passa a história do livro.

Callie é uma jovem de 16 anos que perdeu os pais e avós, e vive nas ruas com seu irmão mais novo Tyler. Sua vida não é fácil, ela vive em prédios abandonados com seu irmão e seu amigo Michael, tendo constantemente que fugir para não ser capturada pelos inspetores e acabar numa das instituições. Seu irmão sofre de uma doença respiratória crônica, o que agrava ainda mais as coisas. Eles devem conseguir um lugar seguro, conseguir comida e remédios. Tudo isto sem serem percebidos.

Por conta de toda esta dificuldade, Callie decide ir atrás de uma oportunidade de ganhar dinheiro, para dar uma vida melhor ao seu irmão e cumprir a promessa que fez ao seu pai de mantê-lo a salvo. Existe uma empresa chamada Prime Destinations, na qual Starters que não possuem família alugam seus corpos para os Enders por um tempo e ganham um bom dinheiro por isso. Um chip é instalado em seu crânio e, através de um computador, um Ender é conectado a seu corpo, enquanto a mente do Starter permanece latente. É como se ele dormisse enquanto o Ender usa seu corpo.

Apesar de achar tudo muito assustador, Callie decide assinar. Tudo pelo seu irmão e por um futuro melhor para ele.

Porém, perto de seu contrato acabar, algo sai errado. Callie desperta em seu próprio corpo, em uma boate, usando roupas chiquérrimas e altamente produzida. Neste momento ela sabe que tem algo muito errado, que não deveria ter acordado, pois está no meio do contrato e ela está onde a Ender que alugou seu corpo deveria estar. E tudo fica ainda mais estranho quando ela ouve a voz desta Ender em sua cabeça...

E agora? O que Callie faz? Volta para a Prime Destinations? Vive como se fosse a Ender que a alugou, para não levantar suspeitas até o fim do contrato, e assim garantir que receba o dinheiro completo? Deve contar a alguém?

Para descobrir, leia! 

Callie não sabe no que se meteu, e está prestes a descobrir que a Prime não é aquilo que ela pensava. Ela não sabe o que a espera... Muito mistério, ação, um garoto apaixonante, desespero e um final que ninguém esperava, muito surpreendente!

Eu demorei muito para realmente começar a ler esse livro. Na primeira vez que o peguei para ler, achei o início muito chato, larguei de lado e fui ler outro. O esqueci por um bom tempo, até que no final de semana passado eu decidi finalmente lê-lo. E foi tudo muito diferente.

Na minha opinião, quando você lê um livro, a sua opinião sobre ele não depende apenas do que você encontra quando lê. Depende muito do seu momento atual, do livro que você leu antes, do seu humor. 

Na primeira vez que o peguei, minhas expectativas eram outras. O livro que eu tinha lido era de um outro tipo, e por isso a minha opinião mudou. Desta vez, eu não achei o início chato, pelo contrário, li as 150 primeiras páginas sem parar.

É uma história muito cativante, a leitura flui sem você nem perceber. Os personagens são muito bem construídos e, voltando à mesma tecla que sempre bato nas minhas resenhas: não são perfeitinhos. Por se tratar de um mundo distópico, eles já sofreram tanto que tiveram que adaptar a sua vida para a atual realidade.

Callie é uma menina que tinha uma vidinha perfeita, vivia com seus pais, que sempre foram muito amáveis e era feliz. Mas não para por aí. O seu pai sabia o que os esperava e a treinou para sobreviver da melhor forma. Manuseio de armas de fogo, pensamento crítico, são coisas que Callie aprendeu e garantiram a sua sobrevivência nesse mundo doente. Uma garota determinada, sem muitas futilidades, e que faria de tudo por seu irmão. 

“Quando os gaviões gritam, é hora de voar”

Quando se vê no meio de uma boate, em seu próprio corpo, com roupas chiques e produzida como uma garota rica, Callie não sabe o que fazer. E se sai muito bem, em minha opinião. Ela não surtou, não fez algo idiota, apenas teve os pés no chão o tempo todo e tentou fazer o melhor em cada situação. Isto é o que eu achei. 

“Fazia muito tempo que eu não era feliz. Muito tempo desde que a vida se resumia a gloss para os lábios, música e amigas bobas. Muito tempo desde que minhas maiores preocupações eram as provas da escola ou se havia me esquecido de fazer a lição de casa. Estava tentando ficar segura, ser livre e conseguir sobreviver.”

O que pode causar certa estranheza é a paixonite de Callie por Blake, um garoto rico que ela conheceu na boate. No meu ponto de vista, é aceitável. Pensem só: ela é uma garota que se vê numa situação que ela não pode fazer nada estúpido, como correr atrás de seu irmão e Michael. E de repente ela conhece um garoto amável e gentil, numa vida que não é a dela, cheia de riqueza e conforto. Qual de vocês não aproveitaria a farsa nem que seja por um dia? Se toda a situação está fora de seu controle, para que surtar? Aproveite o momento e deixe para amanhã o que você não pode fazer hoje. 

E foi isso que ela fez. Ela não surtou, não largou tudo pelo Blake, não criou falsas ilusões de "vamos ser felizes para sempre", nem abandonou sua personalidade. Viu como podem existir personagens adolescentes de 16 anos que NÃO são idiotas??? Ponto para a autora.

“− Callie – os olhos dele me examinaram, passando pelas maçãs do meu rosto, meus olhos, meus lábios. – Não sei qual é o motivo, mas eu sinto que há uma ligação entre nós.

− Eu sei. Também sinto isso.
− Mas você sabe por quê? – ele perguntou
Eu não sabia. Simplesmente sentia.
− Acho que às vezes, nem tudo tem uma razão de ser.
− As coisas simplesmente acontecem.
− As coisas simplesmente acontecem.
Meu coração estava batendo tão forte que Blake provavelmente conseguiria ouvi-lo.
Ele tocou meu rosto com a mão. Era quente e macia.
− Você realmente é especial – disse ele. Em seguida, se inclinou para frente e beijou os meus lábios.
Hesitante.
Gentil.
Ele se afastou com um sorriso infantil no rosto, como uma criança de 5 anos em um parque de diversões que acabou de ganhar um peixe-robô dourado.”

E os outros personagens: O amigo dela, Michael, eu achei que poderia ser melhor desenvolvido. Achei um personagem fantástico, mas muito pouco aproveitado! A Ender Helena, também um personagem ótimo. Uma mulher muito misteriosa, mas que se revelou uma personalidade e tanto. 

As outras Enders, Lauren e Madison, também me surpreenderam! 

Não posso falar muito sobre o Blake, pois esse aí é o tcham da história. Leiam que vocês saberão rsrs.

O que me chamou muita atenção foi a frieza com que a sociedade de Enders trata a situação. Eles vivem sua vida normalmente, ostentando a sua riqueza, comendo em restaurantes caros, fazendo compras nos shoppings, como se nada tivesse acontecido. Sendo que tudo é muito recente. Passaram-se apenas três anos desde que o país foi atacado e boa parte de sua população morreu. O cenário é exatamente esse: os Enders vivendo bem como se o mundo fosse o mesmo, enquanto os jovens órfãos (que não são poucos) vivem nas ruas, à margem da sociedade, sendo brutalmente caçados e colocados em instituições precárias, para um destino incerto. E ninguém dá a mínima para eles, ninguém sai em sua defesa. Eles estão completamente abandonados à própria sorte.

Eu achei isso tudo uma grande ironia. Não é como se os Enders fossem viver para sempre, eles vão morrer um dia e, em minha opinião, em breve! Será que eles não pensam que esses jovens que eles estão matando, aprisionando e privando de uma vida são o futuro de sua sociedade? Desde que todos os adultos morreram esses jovens precisam casar e procriar para dar continuidade à população. Olha, esse foi o meu pensamento o tempo inteiro enquanto lia o livro!

“Sua expressão me fazia pensar em um astronauta que flutuava pelo espaço após o cabo que o conectava à nave se romper, que tinha uma única chance de agarrar um cabo de reserva ou flutuar para sempre, à deriva, em um espaço negro e infinito. Eu conhecia aquela sensação, o pânico que estendia o tempo, transformando segundos em anos, e a dor profunda se ser atacado não por uma pessoa, mas por muitas, uma gangue de valentões que se expandia por um bairro e posteriormente por uma cidade, até que você questionasse o mundo inteiro. E a última coisa na qual você pensa, enquanto estende o braço até que seus dedos estejam a milímetros do cabo de salvação, é como será possível encontrar uma maneira de consertar o que foi estraçalhado, para que você possa dizer sim, dizer que quer voltar a fazer parte do mundo.”

O final foi completamente surpreendente, eu jamais imaginava!!! Achei tudo muito criativo, a autora não deixou em nada a desejar! Fiquei de boca aberta com o rumo dos acontecimentos, e ainda mais ansiosa pelo próximo livro.

Finalizando: uma excelente história, muito surpreendente, que te prende até o fim. Uma distopia pura, com tudo muito bem explicado, um texto leve e muito agradável. Os personagens são muito legais, sem nada de perfeitos e sem mimimi. Indicado para todas as idades, leiam que vocês irão gostar!

“Dê uma máscara a um homem e ele lhe dirá a verdade.”


A Continuação, Enders, está prevista para ser lançada nos Estados Unidos em Janeiro de 2014.

Starters vai ser adaptado para as telonas, leia mais AQUI.






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5 comentários :

  1. uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

    olha como um livro pode te surpreender né Twin...

    nós duas na Bienal em SP, e o livro bombando e nós duas com cara feia, pq realmente não faz o nosso estilo...

    e BUM... vc amou...

    quando um livro é bem escrito como vc disse, é difícil não apreciar a historia e os personagens!

    Vamos colocar na minha listinha!

    =)

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  2. Ei poooo eu gostei!!
    Vou ler com certeza!
    Adorei a resenha amiga
    Que bom que vc se surpreendeu com ele, tá vendo? Enrolou tanto pra ler o livro pelo preconceito da protagonista ter 16 anos, nem todo adolescente é idiota!

    Voltou para a minha listinha!

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  3. Eu gostei, faz o meu gênero de leitura, e pelo que você descreveu tem muito mistério, e situações em que a personagem tem que usar a inteligencia... gostei da parte que você citou que é uma leitura que flui sem agente perceber, isso quer dizer que o leitor fica preso na historia, com certeza vou adquirir um exemplar...fiquei curiosa...

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  4. Oi Lu, tenho esse livro na minha estante já faz meses e até agora não parei para lê-lo. Isso que descobri que amo distopias, mas a vida é tão corrida e o tempo tão curto, né?! Quero ler tantos livros, mas falta tempo. Mas depois da sua resenha minha vontade ficou ainda maior. Quem sabe não dou um jeito de antecipá-lo na minha lista?! hehe Beijos, Mi

    www.recantodami.com

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  5. Me interessava ler esse livro mas quando começava a leitura achava chato, agora lendo a sua resenha vou me forçar a ler pra ver esse final surpreendente.

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