05 abril 2013

[Resenha] Incarceron

Livro: Incarceron
Autora: Catherine Fisher
Série: Incarceron - Livro 01
Editora: Novo Século


Incarceron conta a história de dois mundos: o Interior, dentro da prisão de incalculável tamanho chamada Incaceron e o Exterior, todo o mundo fora da prisão.

A Prisão Incarceron foi criada pelos homens para livrar a sociedade de sua "escória" - criminosos, lunáticos, extremistas políticos, pessoas indesejáveis e degenerados - e investir a energia que os homens vinham há muito desperdiçando para regenerar essas pessoas de má índole e torná-las pessoas melhores. Foi criada para ser como um Paraíso, onde essas eles viveriam em uma condição ideal e prosperariam. E para lhes dar conhecimento, setenta homens, os chamados Sapientes, se voluntariaram a ir para a Prisão com o único objetivo de transmitir sua sabedoria para os detentos e com isso guiá-los para a transformação.

Enquanto isso, os governantes da humanidade assinaram o Protocolo, onde todos deveriam abdicar da tecnologia e voltar a viver como no século passado. Uma vida simples, desprovida de todas as ferramentas tecnológicas, seria a única maneira de os seres humanos redescobrirem a sua essência, para então deixar de caminhar em direção ao fim iminente. E toda a energia antes desperdiçada seria utilizada para o nobre objetivo de regenerar as piores pessoas da humanidade e para manter a ilusão criada pelo Protocolo.

Mas não é o que realmente aconteceu. A Prisão, criada para ser um organismo vivo, pensante, que zelaria pelas vidas dos que para ali foram, passou a ter vida própria e a não obedecer aos seus controladores. Fazia o que bem entendia e manipulava todas as vidas que tinha dentro de si. E assim Incarceron se transformou num verdadeiro inferno, de uma vastidão imensurável e que não tinha saída. Do tamanho de um mundo inteiro, com mares, incontáveis cidades e caminhos e mais caminhos sem saída. Todos que estavam lá dentro foram então condenados a viver a mercê deste ser maligno e lutar todos os dias para sobreviver.

“Não há espaço para fraqueza em Incarceron. Nenhuma misericórdia para um defeito fatal. Aqui é matar ou ser morto.”

As pessoas do Exterior acreditavam firmemente que Incarceron era um paraíso que não deveria ser tocado. Condenadas a viver uma vida simples, todos aqui de fora também viviam numa prisão, uma bem diferente. Obrigadas a abdicar de toda modernidade, a humanidade, que vive agora uma vida simples, cheia de etiquetas e fachadas, é um barril de pólvora prestes a explodir. 

E no meio disso tudo há Finn e Claudia. Finn, um garoto de 16 anos que vive dentro de Incarceron, e não se lembra de seu passado. Todos parecem dizer que ele é um nascido na Prisão, filho de Incarceron, mas ele não acredita, vive dizendo que veio do Exterior, porém se lembra apenas de fragmentos de memórias. Um aniversário, um bolo com velas, e uma dor imensa. Ele é chamado de Aquele Que Vê Estrelas, por causa de suas visões constantes de um mundo diferente. Finn quer escapar da prisão a qualquer preço e, juntamente com seu irmão por juramento, Keiro, uma escrava de nome Attia e o Sapiente Gildas,  ele parte em busca de seu verdadeiro passado.

"Você nasceu em Incarceron, Finn. Aceite isso. Ninguém vem lá de Fora. Ninguém Foge! Incarceron está fechada. Nós todos nascemos aqui e todos vamos morrer aqui."

Claudia é uma menina de 16 anos, do Exterior e filha do Guardião de Incarceron. Ela não se conforma em ter que se casar com o Rei Caspar, um garoto arrogante e que só quer saber de bebidas e mulheres. Porém, ela é a prometida para o filho da Rainha e seu pai a criou para governar a Corte. Um lugar de pura política, onde as fachadas escondem segredos sórdidos e a etiqueta prevalece. Mas Claudia não quer isso para a sua vida. Junto com seu mestre, Jared, um Sapiente, Claudia estuda maneiras de fugir dessa prisão. Ela sabe que seu passado esconde muitos segredos e não acredita em tudo que contam sobre a morte de seu antigo noivo, Giles, enteado da Rainha e filho do falecido Rei.

E o destino faz com que Finn, dentro de Incarceron e Claudia, no Exterior, encontrem um dispositivo, uma chave de cristal, que faz com que eles consigam se comunicar. E assim começa a sua aventura. Finn e sua equipe querendo escapar e Claudia querendo entrar para ajudá-los a sair. Mas todos dizem que Incarceron não tem saída. Existem apenas lendas sobre um tal de Sapphique, que um dia conseguiu fugir. Será que são apenas lendas? Leia para descobrir.

“Homens adoram contar histórias, irmão. Eles adoram sonhar. Eles sonham que o mundo está fundo no subsolo, e se nós pudéssemos subir, encontraríamos uma forma de sair, uma porta que dá numa terra onde o céu é azul e a terra dá milho e mel e não há dor. Ou que há nove círculos da Prisão ao redor de seu centro, e se formos fundo neles encontraremos o coração de Incarceron, seu ser vivo, e emergiremos em outro mundo.” Ele balançou a cabeça. “Lendas. Nada mais.”

Um está dentro. 
A outra, fora.
Entretanto, os dois estão aprisionados. 
Conseguirão enfim se encontrar?


Quando li a sinopse desse livro, me interessei muito pela história, comprei na hora rsrs.

É um livro bom no geral, mas não posso dizer que é excelente. O início é MUITO parado. Eu só comecei gostar do livro depois da metade. Olha, fui persistente, senão tinha abandonado. 

Os capítulos são alternados: ora narrados por Finn, ora narrados por Claudia. E a autora praticamente te joga no meio da história sem explicar quase nada. Tudo vai sendo explicado aos poucos, eu só fui entender as coisas lá pro final. Por não saber de nada, o início foi meio maçante. Um capítulo narrado por Finn e quando começava a acontecer alguma coisa, mudava bruscamente para o da Claudia.  E assim por diante. Só lá pela página cento e pouco, quando já começamos a entender o que é a tal prisão, o que é o protocolo, é que a história começou a fazer sentido para mim. Eu dormi várias vezes lendo os primeiros capítulos.

E quando a história engrena, fica muito legal. É um mundo completamente novo, Incarceron é um lugar de uma vastidão imensa e ao mesmo tempo um organismo pensante. Já pensou viver num lugar cheio de olhos vermelhos espalhados e que muda tudo quando bem quer? Que vê tudo que você faz, ouve tudo que você fala e sabe tudo que você sente?

"Você alguma vez já falou com Incarceron, Mestra? Na escuridão da noite, quando todos estão dormindo? Já rezou e sussurrou pra ela? Implorou para acabar o pesadelo do nada? É isso o que os nascidos na cela fazem. Porque não tem mais nada no mundo. Isso é o mundo."

Há momentos em que eu achei que as coisas ficaram loucas demais, mas tipo demais mesmo. Como, por exemplo, uma hora que eles estão num navio flutuante, começa uma tempestade, eles são arrastados e se veem frente a frente com uma gigantesca parede de metal que simboliza o fim do mundo, o navio começa a despencar, e eles aterrissam num cubo e vão para dentro da parede, onde tem cavernas e mais cavernas sem fim.

"Debaixo da terra as estrelas são lendas"

Me senti lendo uma história infantil, e é essa a minha opinião sobre o gênero do livro. Tudo tem um ar bem infantilizado, todas essas histórias mirabolantes dentro da prisão. Talvez seja por isso que não gostei tanto, estou meio cansada de livros assim. (Quem lê as minhas resenhas já deve saber rsrs)

Porém, devo admitir que a autora sabe escrever e tem uma imaginação incrível. 

Então, para quem gosta de uma boa história infanto-juvenil, repleta de aventuras e descobertas, para quem quer conhecer um mundo totalmente novo, leiam Incarceron que vocês vão gostar! Indicado para todas as idades!

"Apenas o homem que conhece a liberdade pode definir sua própria prisão."





Compartilhe!

3 comentários :

  1. Adorei a resenha. Achei muito interessante a proposta do livro, principalmente a que diz que o povo deve abdicar da tecnologia e viver uma vida simples. Sinceramente, acho que este será realmente o único futuro viável, porque apesar da tecnologia nos trazer muitas facilidades, também faz com que fiquemos completamente alienados e percamos todas as concepções de valores importantes ao ser humano.
    De qualquer forma são ideais interessantes para se refletir, tanto a prisão quanto a vida sem tecnologia.
    Pena que você não gostou tanto assim do livro, mas talvez seja o que você disse, de estar cansada de livros assim e não que ele seja necessariamente ruim.
    Beijos, Mi

    www.recantodami.com

    ResponderExcluir
  2. Pois é Mi, esse enredo é realmente fantástico. Concordo muito com o seu ponto de vista de que esse talvez seja o único destino da sociedade. Porém eu teria gostado muito mais do livro se a autora desse mais foco nisso, se a escrita fosse um pouco mais séria. Eu achei tudo muito infantil, como se fosse um grande conto de fadas. Acho que faltaram mais tragédias rsrrss. O que realmente me incomodou foram as cenas muito mirabolantes (muito, mas muito mesmo) e o início muito lento. Mas ela recompensou no livro 2, Sapphique. Você já leu?

    Eu achei o segundo livro muito muito melhor! Rsrsrs Estou escrevendo a resenha dele e estou achando até difícil pois são tantos detalhes! Rsrsrs

    Beijinhos

    Lu

    ResponderExcluir
  3. Ai amiga, não me animei a ler esse livro, e eu não sou muito persistente! Se o livro começa chato eu não demoro muito para largar ele! =/

    ResponderExcluir





Copyright © 2017 Every Little Book. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | OddThemes | ILUSTRAÇÃO: Yuumei