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11 dezembro 2019

[Resenha] Até o Fim - Harlan Coben

NOVO LIVRO DE HARLAN COBEN, AUTOR COM MAIS DE 70 MILHÕES DE LIVROS VENDIDOS NO MUNDO.
Coben é conhecido como “o mestre das noites em claro" e é o único escritor a ter recebido a trinca de ases da literatura policial americana: o Anthony, o Shamus e o Edgar Allan Poe.
O detetive Nap Dumas nunca mais foi o mesmo após o último ano do colégio, quando seu irmão Leo e a namorada, Diana, foram encontrados mortos nos trilhos da ferrovia. Além disso, Maura, o amor da vida de Nap, terminou com ele e desapareceu sem justificativa.
Por quinze anos, o detetive procurou pela ex-namorada e buscou a verdadeira razão por trás da morte do irmão. Agora, parece que finalmente há uma pista.
As digitais de Maura surgem no carro de um suposto assassino e Nap embarca em uma jornada por explicações, que apenas levam a mais perguntas: sobre a mulher que amava, os amigos de infância que pensava conhecer, a base militar próxima a sua antiga casa.
Em meio às investigações, Nap percebe que as mortes de Leo e Diana são ainda mais sombrias e sinistras do que ele ousava imaginar.

 Livro: Até o Fim || Autor: Harlan Coben
  Editora: Arqueiro  || Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Luiza
 Ano: 2019 || Gênero: Suspense Policial
Nap Dumas é um detetive da polícia de New Jersey, sua cidade natal. Está vivendo seus trinta e poucos anos, ainda mora na mesma cidade e nunca superou a morte de seu irmão gêmeo, Leo, que aconteceu no último ano do ensino médio. Leo e sua namorada, Diana, foram encontrados mortos nos trilhos do trem, e acredita-se que foi uma morte por abuso de álcool e drogas, um tipo de suicídio com a mente fora de si, levado pelo momento de euforia. Nap nunca entendeu como Leo pôde fazer algo assim, ou estar tão perdido para chegar a esse ponto. Essa falta de resposta o atormenta há anos.

E se não fosse suficiente o choque da morte de Leo e Diana, a namorada de Nap, Maura, que também era amiga do seu irmão e cunhada, desapareceu na mesma noite da morte deles. Nap tentou encontrá-la de todas as maneiras, mas nunca conseguiu sequer uma pista. Ele nunca conseguiu entender porque ela desapareceu, e essa era mais uma coisa que o assombrava.

Agora, 15 anos depois da data fatídica, Nap recebe um alerta na polícia que as digitais de Maura apareceram em um carro envolvido no assassinato de um policial, mas não era um policial qualquer. Nap descobre que ele também era da mesma turma que eles no ensino médio.

Então, de repente, Nap se vê envolvido em uma trama misteriosa que poderá levá-lo a obter as respostas que tanto almejou sobre o passado sombrio, e ele está determinado a fazer todo o possível para descobrir a verdade, não importando todos os avisos que recebe para deixar o passado para trás.

Porém, em vez de encontrar respostas, Nap não pára de acumular mais e mais perguntas e mistérios sobre aquela noite, e de repente ele não se vê tão empolgado para descobrir essas respostas, talvez seja doloroso demais ou até pode colocá-los em um perigo ainda maior, pois envolve uma antiga base militar da cidade, desativada há muitos anos. 

O que de fato aconteceu naquela trágica noite, que mudou a vida de tantas pessoas? O quanto Nap deseja saber? Poderá ele aguentar a verdade? Não seria melhor deixar o passado onde está?

Embarque nesse misterioso thriller para descobrir!




Harlan Coben é um autor que sempre quis ler, daqueles que a gente simplesmente sabe que é bom, sabe que vai gostar. Por anos leio resenhas e notícias sobre ele, sobre o quão premiado seus livros são, vejo autores que admiro vibrando com lançamentos e não deixo de me perguntar: porque demorei tanto a lê-lo?

Coben é o único escritor que recebeu a trinca de ases da literatura americana: o Anthony, o Shamus e o Edgar Allan Poe, e isso só mostra o quanto é prestigiado e único. Venerado e extremamente aclamado, ele lança um sucesso atrás do outro. 

Como muitos de seus livros, Até o Fim tem uma narrativa ágil, com fatos aparecendo a todo momento, discussão de temas importantes e um toque de humor ácido que torna quase impossível não gostar. Ok, é um pouco estranho um thriller que envolve muitas mortes chocantes e mistérios a todo momento possuir esse traço de humor, mas hey, Mr. Coben sabe o que está fazendo, definitivamente sabe. Só lendo para entender.

Esse livro não faz parte de uma série, ele é um livro único, que tem uma pequena conexão com a série imensa (e mais famosa do Harlan), Myron Bolitar, a qual pretendo ler logo logo. Pode parecer que é uma série pelas capas parecidas dessa nova (e linda) versão dos livros do Harlan que estão sendo lançados pela Arqueiro, mas pode ler sem medo que tem começo, meio e fim.

Nap é daqueles personagens bem reais, que te fazem lembrar de alguém. Cheio de defeitos, falhas e traumas, ele mostra a todo momento como sobreviver às surpresas da vida, mesmo que de uma maneira (talvez) um pouco louca. 

É um policial plenamente capaz e conhecedor da lei, mas que se vê virando tudo de cabeça para baixo para finalmente solucionar o maior mistério de sua vida. Nesse momento ele é um irmão de luto e um cara ainda apaixonado que busca respostas.

E chega uma hora que ele se torna implacável, totalmente o oposto de um tira convencional. Essa evolução do personagem durante a história é fascinante. Para mim foi o ponto alto. 

E descobrir sobre seu passado, sobre como ele era e agia quando adolescente, acrescentou ainda mais para entendê-lo.

Essa história foi baseada em fatos reais que aconteceram na cidade natal de Coben e saber disso tornou tudo ainda mais interessante. Esse é considerado por muitos o livro do Harlan que mais se aproxima de fatos reais, o que me faz querer pesquisar o que aconteceu na cidade dele...

Muita gente considera Até o Fim um livro clichê e previsível, mas, por não ter lido nada do autor e não estar familiarizada com seu modo de escrita e narrativa, para mim foi bastante empolgante. Era um fato atrás do outro aparecendo e me deixando mais curiosa, e mudei varias vezes de opinião sobre muita gente que aparecia rs.

Sabe aquele sentimento de dúvida que pode te perseguir durante a vida, que te faz questionar se poderia ter feito algo diferente em algum momento de tragédia que passou, que te consome e cria um fardo que carrega e te suga durante os anos que se passam? É assim com Nap Dumas, e em Até o Fim ele vai finalmente descobrir a causa desse abismo em sua vida, numa narrativa cheia de suspense e revelações bombásticas que tornarão muito difícil largar esse livro.

09 dezembro 2019

[Resenha] Conectadas - Clara Alves


Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais — pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina.
Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir — muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer.
Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?


 Livro: Conectadas || Autora: Clara Alves
  Editora: Seguinte  || Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Lala
 Ano: 2019 || Gênero: Jovem adulto / LGBT
Posso mudar como faço resenha e já começar dizendo que amei esse livro??
Me encantei demais com a história das protagonistas, senti a aflição e a alegria de cada uma, e isso para mim só mostra como a escrita da Clara (que por sinal é a primeira vez que leio algo) é boa. Livro muito bem escrito e super envolvente, mas deixa eu apresentar para vocês as nossas protagonistas, Raissa e Ayla, que narram o livro cada uma com seu ponto de vista alternado.

"Nos últimos tempos, parecia que todos os meus sorrisos eram falsos e toda a minha felicidade vinha pela metade."

Raissa mora em Sorocaba com os pais, com quem se dá muito bem. O pai é viciado em jogos e apoia esse vicio dela também. Raissa sempre teve atração por meninas, mas nunca teve coragem de contar pra ninguém. Os pais não são aqueles típicos preconceituosos, mas sempre soltam uns comentários negativos o que a deixam com medo de se assumir. Quando começou a jogar Feéricos percebeu logo que todos tinham preconceito por ela ser menina, e ninguém queria se unir a ela nas missões, por isso ela criou um perfil masculino no jogo, inspirado no seu melhor amigo Léo. Muito tempo depois, ela conhece a Ayla, e resolve ajudá-la nas missões, mas com isso, elas viram amigas e cinco meses depois, a Raissa está super apaixonada, e a Ayla também, o problema é que a Ayla se apaixonou pelo Léo.

Ayla vive em Campinas com os pais, mas definitivamente não vive em harmonia com eles. Os pais estão em uma briga silenciosa e ela tá presa no meio deles, a mãe é super religiosa, mas não impõe a mesma religião para a Ayla já o pai, descendente de japonês, entra mudo e sai calado e tem pouca influencia na vida dela. Ela tem uma tia - Sayuri - que é maravilhosa e está sempre disposta a ajuda-la.

Recentemente, nossa protagonista mudou de escola e se revoltou por isso. Ela não é mais a santinha da antiga escola, também não é a rebelde da nova, na maior parte do tempo, nem sabe quem é. Mas quando está com o Leo, ela sente que pode ser quem quiser, pena que só se conhecem on-line. Mas ai surge uma oportunidade de se verem na exposição de Feéricos em SP. A Ayla mal pode esperar para finalmente conhecer o garoto por quem está apaixonada pessoalmente. Como será que esse encontro vai ser?


Além das nossas protagonistas os seus melhores amigos e família ganham bastante destaque. Estar envolvido nas diferentes dinâmicas nos faz ter uma visão diferente da vida delas e da dificuldade de cada uma para assumir aquela parte de si mesma. Não sei se vai acontecer, mas adoraria ler um livro sobre o Leo, melhor amigo da Raissa, um assexual pan. Acho que nunca li um livro com protagonista com essa identidade sexual e seria interessante, além do próprio personagem ser bem cativante.

"Nos poucos segundos em que nos abraçamos, eu me permiti fechar os olhos e sentir o calor da sua pele, e seus cabelos lisos pinicaram meu rosto. Ela tinha cheiro de baunilha; levemente adocidado, mas não o suficiente para ser enjoativo. Em seu abraço, era como se nada pudesse me atingir, como se minhas inseguranças não existissem."

O livro tem muitas referências atuais o que com certeza aumenta a nossa ligação com a história. E ver o drama adolescente me levou de volta para os meus 16 anos quando eu pedi aos meus pais para mudar de cidade por que meu crush morava longe, e achei absurdo eles se recusarem kkkkkkkkk e mesmo com 15 anos a mais do que as protagonistas, eu ainda me vi envolvida com a sua história.

Como (quase) sempre também há defeitos. A leitura demora muuuuito para pegar, sabe? Acho que passei 1 semana para ler 30% e 2 dias para ler o resto. Do meio para o final, o livro fica muito melhor, gostaria que o começo tivesse a mesma pegada.

"Eu queria viver assim?
Eu queria me esconder?
Eu queria me omitir enquanto tantas outras pessoas estavam lá fora, lutando pelo direito de amarem e serem amadas sem medo?
Não.
Não, eu não queria.
Eu queria ter, pelo menos, a oportunidade de ser feliz."

Conectadas é sobre duas adolescentes se descobrindo. Mas é muito mais que isso. É sobre amizade, família, aceitação, bullying, diversidade, primeiro amor e segunda chance. Resumindo: um livro maravilhoso. Leiam!

Curtam essa playlist maravilhosa que a Raissa e Ayla escutam na história!





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