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18 junho 2019

[Resenha] O Amor de Um Duque (Sins for All Seasons #2) - Lorraine Heath

Gillie Trewlove sabe o valor da bondade de desconhecidos, já que foi abandonada ainda bebê na porta da mulher que a criou. Quando se depara com um homem sendo agredido em sua própria porta — ou melhor, no beco próximo da sua taverna —, ela não hesita em ajudá-lo. Porém, o homem é tão bonito que não pode pertencer a um lugar como Whitechapel, muito menos à cama de Gillie, na qual ele precisa ficar para se recuperar.
O duque de Thornley está tendo um péssimo dia. Ser abandonado no altar é humilhante, ser salvo de bandidos por uma mulher — ainda que uma mulher linda e corajosa — é mais ainda. Após ajudá-lo a se recuperar, Gillie concorda em acompanhá-lo pelas ruas sombrias de Londres em busca da noiva.
No entanto, cada momento juntos os leva ao limite do desejo, e faz o duque repensar sua escolha a respeito do casamento. Gillie sabe que a aristocracia nunca iria aceitar uma duquesa como ela, mas Thorne está disposto a provar que nenhum obstáculo é insuperável diante do amor de um duque.


Livro:  O Amor de Um Duque||Série: Sins for All Seasons #2||Autor: Lorraine Heath
Editora: Harlequin  ||  Gênero: Romance de Época
Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Lud || Ano: 2019 



O Amor de Um Duque é o segundo livro da série Sins for all Seasons (pecados para todas as estações, tradução literal) composta por quatro livros (um para cada irmão Trewlove), o quinto será lançado ainda em 2020.

Nesse livros vamos conhecer a história da Gillie, que apareceu no livro anterior do Mick, por ser irmã dele. Ou seja, mais uma criança abandonada na porta da viúva Trewlove. 

Desde cedo, Gillie aprendeu a se virar. Com quatro irmãos mais velhos, aprendeu como se defender, e claro que a mãe vesti-la como menino, com medo do que poderia acontecer com ela, ajudou-a a se misturar e passar despercebida por muitos. Mas agora ela possui uma taberna, é uma mulher independente e é conhecida por muitas pessoas, mas, ainda sim, ninguém parece notá-la e não há interesse por parte dela em nenhum cavalheiro em particular. 

Até que, em uma noite, na parte de trás da taverna, ela escuta um barulho, e para sua surpresa, descobre um homem sendo espancado e esfaqueado por outros quatro. Claro que ela não poderia deixá-lo morrer ali na rua. 

O duque de Thornley nunca pensou que sua ideia de procurar a noiva que acabara de deixá-lo no altar fosse resultar em sua quase morte. Mas parece que o destino está sorrindo para ele, porque lhe envia um anjo para salvá-lo. E não apenas da morte, mas de uma vida inteira sem amor.

" Um homem com um propósito podia sobreviver ao inferno e muito mais."


Ai, senhor, que livro mais amor!
Devo dizer que no começo eu não botava muita fé, mas conforme fui lendo, a história me conquistou de uma forma que, quando finalizei, estava com um big sorriso no rosto e uma sensação gostosa.

O que me conquistou nesse livro, definitivamente, foram os dois personagens principais Mas não no romance em si, que é muito bom, mas na personalidade de ambos.

Gillie é aquela mocinha que não espera pelo príncipe, desde cedo ela aprendeu a se virar e a construir uma vida que não envolvia casamento ou ser dependente de qualquer um. A forma simples e direta com que a Gillie vê o mundo é revigorante. Ela é simplesmente incrível, tem uma vida independente, mas nunca deixou de ser romântica de coração, apenas escondeu pelas circunstâncias.

Anthony também tem uma personalidade marcante e pensamentos à frente de seu tempo. Ver o relacionamento dos seus pais lhe deu uma perspectiva diferente do que ele queria para a vida. Não apenas algo para mostrar à sociedade, mas algo verdadeiro. Então, quando chega a hora de ir contra tudo pelo qual foi criado, ele conduz de uma forma tão simples e normal, como se fosse comum suas atitudes.

O choque dos dois mundos foi interessante de acompanhar, e como os dois personagens estavam dispostos a aprender um pouco do mundo de cada um e assim criar um para eles, que abrangeria o melhor de ambos. Os pensamentos e diálogos são bem diretos, sem enrolação, ou aquele mimimi de mocinhas, chegando até a destoar dos romances de época tradicional, ao qual estamos acostumados. Mas para mim, isso foi um ponto positivo.

Nesse livro, Lorraine já nos apresenta ao próximo casal, que é o Finn - irmão da Gillie - e a Lavinia - ex-noiva de Anthony. E devo dizer que ele deve vir muito mais recheado de drama, já que podemos ter um vislumbre de como a história de ambos começou.

O Amor de Um Duque é uma história que pode fugir um pouco do que estamos acostumados em ver em romances de época, mas é encantador e sincero do jeito que apenas a Lorraine poderia escrever.


❝Lentamente, pouco a pouco, você capturou meu coração, fez dele seu. Nunca pertencerá a mais ninguém.❞



17 junho 2019

[Resenha] À sombra das torres ausentes - Art Spiegelmam


Único autor de quadrinhos a ganhar o Prêmio Pulitzer, Art Spiegelman, ficou conhecido por sua visão ímpar sobre o Holocausto em "Maus". Depois de um longo período trabalhando com ilustrações para capas de revistas, histórias breves e livros infantis, À Sombra das Torres Ausentes é o primeiro livro de quadrinhos lançado por Art desde "Maus". Indignado pelo Atentado de 11 de Setembro e traumatizado com a política de George W. Bush após a tragédia, o artista volta aos quadrinhos para tentar entender e explicar o que se passava com os americanos. No dia anterior aos ataques, 10/09, Art e sua mulher, Françoise Mouly, editora de artes da revista The New Yorker, matricularam a filha numa escola situada aos pés do World Trade Center. Quando viram na televisão a primeira torre ser atingida pelo avião, foram desesperados ao encontro de Nadja e conseguiram encontrá-la pouco antes que a outra torre desabasse, por detrás deles. Em seguida, correram para pegar o outro filho, Dashiell, na Escola das Nações Unidas. Essa experiência angustiante está retratada em detalhes no livro. Assim como em "Maus", Art, trata magistralmente do impacto de traumas da história contemporânea em sua vida pessoal. Mas vai além de sua experiência pessoal e faz uma reflexão sobre as razões e os desdobramentos dessa tragédia que permitiu ao governo americano justificar uma guerra contra o Iraque e que vitimou quase 3 mil pessoas. O formato escolhido para as pranchas é o mesmo das primeiras histórias em quadrinhos publicadas em jornal no fim do século XIX. Foi nessas despretensiosas e velhas tiras que o artista encontrou alívio depois de 11/09. Por isso na última parte do livro ele incluiu um imperdível "Suplemento de Quadrinhos" com alguns clássicos, como Happy Hooligan, Krazy Kat, Little Nemo...        


                     Livro: A sombra das torres ausentes|| Autor:  Art Spiegelmam
Editora: Quadrinhos na Cia||Ano:  || Gênero:  HQ
 Classificação:  5 estrelas || Resenhista: Karina

Em “A Sombra das Torres Ausentes” vamos acompanhar a história de alguém que foi testemunha/vítima dos atentados terroristas do 11 de Setembro (quando 2 aviões se chocaram contra as torres do World Tarde Center) em Nova Iorque, nos Estados Unidos em 2001.

Só por isso esse HQ já me chama atenção porque, adoro qualquer livro que tenha como temática guerra, disputadas, vinganças que fazem parte da história mundial... e essa é uma parte da história que meio que vi acontecer mesmo estando a muitos quilômetros de distância, lembro exatamente o que eu estava fazendo quando interromperam os desenhos animados para noticiar os ataques.

Eu estava na sala da minha casa assistindo desenho animado e tomando café da manhã com bolacha passatempo, eu não tinha a mínima ideia do que aquelas torres eram ou representavam e só quando cheguei na escola e vi meu amigo chorando porque o pai dele estava lá é que percebi a proporção da tragédia; acredito que quase todos lembrem onde estavam ou o que estavam fazendo naquele dia; mas vamos voltar a história e a maneira como esse livro foi construído para poder entender porque esse Graphic Novel merece mais que 5 estrelas.

O personagem desse livro é o próprio autor, Art Spiegelmam, que também é autor e personagem no livro de quadrinho “Maus” (que retrata a história do pai dele, um judeu polonês que viveu em Auschwitz durante a segunda guerra mundial) – pausa para o meu comentário aleatório: Gente do céu, quanta história esse homem já testemunhou!



Agora Art não precisa recorrer as memórias de seu pai ou de outra pessoa, aqui ele batalha com a mente para organizar os horrores que presenciou com os próprios olhos! Esse é um quadrinho do tipo “ensaio”, que segundo o dicionário, tem por definição: “texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões éticas e filosóficas a respeito de certo tema”.



No ano de 2001, Art estava morando na parte Sul de Manhattan, próximo ao local onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center. As imagens dos aviões se chocando contra os prédios – e dos prédios indo ao chão – das pessoas se jogando do alto do prédio – mexeram com ele de uma maneira que o fez pensar qual a relação que ele tinha com Nova Iorque, lhe causaram desespero até ir buscar a filha no colégio que era também muito próximo as torres.


Depois de alguns dias, Art criou uma capa para o jornal New Yorker em parceria com sua esposa Françoise Mouly, editora do jornal. Mas só a capa não dava conta de dizer tudo o que ele sentia, faltava colocar mais para fora, exorcizar os demônios que o perseguiam assim como tinha feito em “Maus” com relação ao Holocausto e a história do pai. Essa é uma construção diferente de “Maus”, “A Sombra das Torres Ausentes” pode até parecer confusa (o que faz total sentido) porque depois desse evento tudo tornou-se mais confuso não só para Art, mas para o mundo todo.

Estou inserida no mundo de quadrinho faz pouco tempo, mas com certeza essa é uma obra que me encantou pela maneira como é construída! Logo no início, antes de começarem as ilustrações, temos algumas explicações sobre como a obra foi surgindo e durante os quadrinhos fica claro as insatisfações de Art com as fatídicas eleições presidenciais norte-americanas em 2000, quando George W. Bush foi eleito sob circunstancias um tanto duvidosas com relação a apuração dos votos, o tom jornalístico é muito presente.

A edição é grande (muito grande), em papel cartonado impressa como se fosse folhas de jornais, a opinião do autor com relação a política não podia estar mais clara nas tirinhas (ele ataca tanto o partido Democrático quanto o Republicano), aborda a cultura americana chegando a insinuar que o sonho americano virou um pesadelo.



O fato é que seja para Art que viveu a poucos metros de distância todo esse horror ou para a minha pessoa que viu um amigo de escola chorar pelo pai (que sobreviveu aos ataques somente por ter se atrasado para o trabalho naquele dia) esse livro é mais que 5 estrelas, em meio a tantas teorias da conspiração essa narração é um respiro e está mais que recomendado, afinal retrata uma história que mudou a todos nós e nos trouxe uma nova realidade, o termo terrorismo que até então quase desconhecido, agora infelizmente faz parte do nosso dia a dia.







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