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27 janeiro 2020

[Resenha] Cursed - Thomas Wheeler


Quem empunhar a Espada do Poder será o único e verdadeiro rei. Mas e se a espada do poder escolher uma rainha? Por toda a vida, Nimue foi excluída pela população de seu vilarejo druídico. Sua ligação com a magia maléfica a tornava assustadora para os vizinhos, e tudo que ela queria era partir. Um dia, porém, o vilarejo é massacrado pelos Paladinos Vermelhos, radicais religiosos inclementes com aqueles que consideram hereges, e o destino de Nimue muda para sempre. Encarregada por sua mãe no leito de morte de entregar uma antiga espada a um lendário feiticeiro, ela agora é a única esperança do povo feérico. Apesar de não haver espaço para vingança em sua busca, o poder mágico crescente na garota não pensa em outra coisa. Nimue se une a um charmoso mercenário chamado Arthur e a refugiados feéricos de toda a Inglaterra, portando a espada designada para o único e verdadeiro rei, enfrentando os Paladinos Vermelhos e o exército de um monarca corrupto. Ela luta para vingar a morte da família, manter seu povo unido e descobrir seu verdadeiro destino. E, talvez, a única coisa capaz de mudar o destino seja a lâmina de uma espada.
Livro: Cursed ||  Autor: Thomas Wheeler
Editora:  HarperCollins|| Ano: 2020 ||  Gênero:  Fantasia
 Classificação:   4 estrelas ||  Resenhista: Daiana

Cursed reconta a lenda de Rei Artur sob o ponto de vista da Dama do Lago ou Senhora do Lago, uma fada conhecida como Viviane, Viviana, Nimue, Elaine, Nimueh entre outras variações. A Dama do lago foi a mais importante sarcerdotisa de Avalon com a missão de proteger e entregar a espada mágica do Rei Artur, a sagrada Excalibur.


Na narrativa de Cursed, a Dama do Lado é conhecida como Nimue, que vive na aldeia do Povo do Céu com sua mãe, Lenore. O Povo do Céu possui uma forte ligação com os Ocultos, os espíritos invisíveis da natureza  dos quais se acreditava que o clã de Nimue descendia.
Nimue nunca foi aceita na aldeia, pois as pessoas acreditavam que - devido as suas cicatrizes nas costas que nunca saravam - ela era marcada pela magia negra. Acreditavam também, que o próprio pai de Nimue a rejeitou e preferiu abandonar o clã, a viver com a filha. Por conta de tudo isso, Nimue sempre desejou fugir e encontrar seu destino em qualquer outra terra distante. 
E, mesmo depois de saber que os Paladinos Vermelhos estão avançando para o norte, ateando fogo nas florestas, abatendo e pendurando em cruzes os que conseguem sobreviver ao fogo, ela ainda decide colocar seu plano de fuga em prática.




Nimue parte então, para a Ponte do Gavião com sua melhor amiga Pym a tiracolo, mas chegando no cais, ela descobre que o navio que ela esperava encontrar havia zarpado no dia anterior. Nimue se recusa a desistir e passa a procurar por alguma caravana de peregrinos,  mesmo sabendo do ódio que eles nutrem pelo povo feérico. E é vagando pela cidade que Nimue acaba hiponotizada pelo  cantor que se apresenta no meio da praça.  Ela sente em todas as partes do seu corpo que o zumbido dos ocultos estava tentando dizer para ela alguma coisa sobre ele. 
Depois desse curto episódio, por obra do destino -ou dos ocultos-, Nimue e Pym acabam numa barulhenta taverna chamada Asa da Gralha, na companhia  do cantor, que se diz cavaleiro, e se chama Arthur. 

No final das contas, a fuga de Nimue acaba mesmo não dando certo, e ao voltar para a sua aldeia, ela a encontra completamente destruída; apenas sangue e destruição e o fogo dos Paladinos Vermelhos que devastaram tudo.  No meio do caos, a mãe de Nimue entrega a filha uma espada, e a encarrega da missão de entregá-la a Merlin, conselheiro do rei Uther de Pedragon. 

Em sua trajetória com Arthur, Merlin e Morgana, Nimue acaba se tornando alvo dos Paladinos Vermelhos. No entanto, Nimue está disposta a aceitar o seu destino, e a lutar contra a igreja pela liberdade daqueles que estavam sendo condenados e perseguidos sem motivo. 

E a espada mágica destinada a grandes reis, desta vez, escolhe uma garota rejeitada pelo próprio povo, mas com tudo a oferecer. 



Sempre fui atraída pela lenda do rei Artur. Qualquer que seja a releitura relacionada a esse mito - sobre um rei que provavelmente nunca existiu -, me deixa empolgada, e com a premissa de Cursed  não foi diferente.

O livro é narrado em terceira pessoa sob pontos de vista diferentes. Há muitas cenas de ação, tensão e uma explosão de acontecimentos, além de muita violência com descrições bem realistas. Muitos dos capítulos são um verdadeiro banho de sangue. 
Existem dois extremos na narrativa, um que te leva aos pontos de tensão, e outro que tenta fazer com que você se conecte a personagem principal e entenda seus sentimentos e suas motivações.

Em um determinado momento da leitura, todos os pontos de vista - com suas conspirações políticas e realidades - acabam se colidindo, tornando a leitura mais atraente. 
Sem dúvida, este é um livro que sempre trará algo para a história, independente de quem esteja narrando. Sempre com o objetivo de nos fazer absorver as lutas, histórias, profecias e cada nuance que contribuiu para o resultado final.

Falando agora sobre os personagens, Nimue é uma garota que nunca entrou em um campo de batalha, e passou a vida sendo atacada e hostilizada por todos. Apenas a posição de sua mãe, como arquidruidesa da aldeia,  impedia que sua vida fosse um pouco pior. Talvez por isso, Nimue apresente uma personalidade um pouco instável. No entanto, não foram as suas mudanças de humor que me incomodaram, mas o fato de ela virar uma justiceira sanguinária de uma hora pra outra, e sair por aí matando todo mundo com a naturalidade de quem apenas está cortando uma fatia de bolo. 

Essa selvageria dela - seja guiada por loucura ou por vozes - foi um pouco forçada, e uma espada mágica não é suficiente para me fazer vê-la menos como uma bruxa louca e mais como uma guerreira. Eu sou daquelas que acreditam que para derrotar um inimigo, você não precisa necessariamente se igualar a ele. 

Arthur é um mercenário - que aparentemente está tentando recuperar sua honra. Um personagem inteligente, charmoso e divertido; desses que adoramos encontrar nos livros. Merlin, que já foi considerado a própria história da magia em um só homem, aqui não passa de um tolo e um feiticeiro bêbado que perdeu sua magia há quase dezessete anos. É o personagem que mais se difere do ‘original’, além de muito mais jovem, ele também não te deixa descobrir logo de cara de que lado ele realmente está.  Morgana foi de longe minha personagem favorita, perspicaz e destemida. 



Todos esses personagens nos trouxeram  personalidades distintas, e seus papéis, além de toda construção do mundo, são um pouco diferente do que conhecemos das lendas arturianas. Foram muitos detalhes usados de maneiras diferentes, mas que para mim funcionou muito bem. Temos nesse mundo de Cursed, diferentes raças com diferentes dons, e isso inclui faunos, druidas, entre outros.
As cenas foram muito bem descritas, entretanto, a narrativa pecou por não explicar ou desenvolver alguns pontos importantes, principalmente pelo fato destes pontos serem coisas novas dentro de um mito já conhecido.
O que talvez tenha deixado um pouco a desejar, foi o romance. Não me convenceu. Foi algo bem morno, mas talvez, eles não tenham tido mesmo tempo suficiente para serem eles mesmos, sem as espadas, dívidas ou paladinos.

As ilustrações de Miller são aqueles traços brutos, algumas coloridas e outras em preto e branco. Miller é conhecido pelos quadrinhos  do Batman e Demolidor, e ele também é o criador da personagem Elektra, da Marvel, e das HQs originais Sin City e 300, que viraram filmes.
Miller e Wheeler, além de terem trabalhado juntos no livro Cursed, são os produtores e responsáveis pelo roteiro da série de Tv que estreará esse ano na Netflix.

Como uma re-imaginação da lenda arturiana em uma visão mais jovial, Cursed cumpriu bem seu papel, nos mostrando o empoderamento de uma personagem feminina com aquele velho toque das lendas antigas que tanto conhecemos.


24 janeiro 2020

[Resenha] A Filha do Conde - Sins for All Seasons # 03 - Lorraine Heath

“Era revoltante ver que ela estava ainda mais bonita do que quando a vira pela última vez, quando trocaram juras de amor e fizeram promessas que foram quebradas poucas horas depois… Os anos e a maturidade tinham acrescentado uma graça que Lavínia não possuía aos 17, quando Finn declarara o seu amor.
Será que ela ainda se lembrava dos momentos com carinho ou a memória também rasgava seu coração, como fazia com o dele? Lavínia o fizera de tolo. Nenhuma das lembranças que tinha dela deveriam ser agradáveis. Mas, em algumas noites, ainda ficava na cama encarando o teto, porque a imagem dela surgia sempre que fechava os olhos.
Cinco anos de sua vida em isolamento, e a única coisa para lhe fazer companhia, para mantê-lo são, era a lembrança que tinha dela. Aquelas memórias eram seu sustento. No começo, ele as invocava para alimentar a sede de vingança, de retribuição, mas a solidão fora aumentando até transformá-las em sonhos. As lembranças traziam a esperança de que o amor estaria esperando em algum lugar, que voltaria a tê-la, sorrindo para ele, rindo com ele, enchendo-o de alegria.
Lavínia não era mais sua - na verdade, nunca fora - mas, ainda assim, uma parte tola de si não conseguia se esquecer de quando quase a tivera, aquela garota que amara no passado.”

Livro:  O Amor de Um Duque||Série: Sins for All Seasons #2||Autor: Lorraine Heath
Editora: Harlequin  ||  Gênero: Romance de Época
Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Lud || Ano: 2019 

Esse é o terceiro livro da série Sins For All Seasons, que contém um total de seis livros. Nesse vamos conhecer Finn, um dos bastardos Truelove.

Lady Lavínia já era prometida ao duque de Thornley (livro 02) desde bebê, graças a um acordo entre os pais, por causa de uma faixa de terras. Lavínia vive a vida como qualquer outra criança, quando, aos quinze anos, se depara com Finn, que tem a horrível tarefa de sacrificar sua égua. Mas Finn, desde o primeiro instante que coloca os olhos nela, sente algo mais e não consegue cumprir essa tarefa. Assim, ele salva a égua e leva Vivi para uma visita. E nesse momento, a filha de um conde e um bastardo começam uma grande amizade.   

Quando Vivi faz dezessete anos, Finn acha que é hora de ela saber o que ele sempre sentiu por ela, e se declara. Ao ser correspondido por ela, ambos acabam desenvolvendo uma relacionamento sincero e inocente. Mas a vida não é tão simples assim, nem a sociedade permitiria algo do tipo. Então ambos são separados por anos. E agora, quando se encontram, não são mais as mesmas pessoas que antes, existe muita mágoa guardada por longos anos. Mas o amor insiste em ser mais forte, e agora eles precisam compreender o passado e criar um novo futuro. 



Você a amou como um menino, quando dá para ser feliz por coisas mais simples, quando a perseguição é mais divertida, e a captura, mais decepcionante. Agora, você a ama como homem, quando se é feliz em ter e manter, encontrar a estabilidade, não perseguir mais a felicidade, porque o que você conquistou é a melhor coisa de todas, e você sabe que nunca poderia ser melhor.



 Como poderia estar feliz quando ela era tudo o que sempre quisera, e quando tudo que ela desejava era a liberdade de fazer o que quisesse? Ficara preso por apenas cinco anos, mas começava a entender que Vivi fora prisioneira a vida inteira. Puxou-a para mais perto e beijou sua testa.


Aaaaa... Os livros da Lorraine sempre aquecem meu coração, e esse aqui não foi nem um pouco diferente, pelo contrário, foi o que eu mais gostei até agora.  Acho que foi pela expectativa criada ao longo dos outros, sobre essa casal que se formou quando eram muito novos. 

A narração se alterna em dois tempo, o presente e o passado, enquanto vai contando como o casal se conheceu quando novinhos. 

Eu adorei como a autora teve uma preocupação com a idade dos personagens. Como se conhecem muitos novos, mesmo Finn sendo mais velho, ele aguarda Lavínia viver um pouco, ser criança, para demonstrar seu afeto mais abertamente. E aí entra outro ponto que me encantou. O fato de eles se conhecerem desde cedo e irem criando essa amizade linda e se conhecendo como ninguém mais conheceria, e disso surge um amor, que é puro e inocente.  

Ao contrário dos irmãos, Finn sabia que amava Lavínia desde jovem, e sofreu amargamente pela distância imposta injustamente pela sociedade e suas regras. Eu adorei o Finn, de verdade, ele tinha tudo para ser um personagem mais energético, mal-humorado por toda a injustiça que sofreu, mas ele é tão doce, tão sensível. Vocês vão amá-lo.

A Lavínia é uma mocinha incrível, que teve seus momentos de fraqueza, mas que aprendeu com seus erros, e agora, como adulta, luta pelo que quer e não deixa que ninguém mais dite como irá viver, ou com quem irá casar. 

Os outros personagens fazem aparições nesse livro, já que a história se passa em paralelo com os outros livros, estão acontecendo ao mesmo tempo, e isso dá um calorzinho no coração. 

O próximo livro é do Aiden, e quinto é da Fancy, que será lançado esse ano, e o último é do Fera, e não tem data de lançamento ainda... É claro que ele seria o último, para elevar todas as expectativas. 

A Filha do Conde é uma bela história de amor entre duas pessoas que são separados pelas circunstâncias, mas têm uma segunda chance para o seu felizes para sempre.


 Não há nenhum prazer em tomar o que não é entregue de bom grado. — Ele sorriu como um predador. — Não significa que não vou testá-la para ver quais são seus limites.





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