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20 agosto 2018

[Resenha] O fundo é apenas o começo - Neal Shusterman


 Uma poderosa jornada da mente humana, um mergulho profundo nas águas da doença mental.CADEN BOSCH está a bordo de um navio que ruma ao ponto mais remoto da Terra: Challenger Deep, uma depressão marinha situada a sudoeste da Fossa das Marianas. CADEN BOSCH é um aluno brilhante do ensino médio, cujos amigos estão começando a notar seu comportamento estranho.                     
CADEN BOSCH é designado o artista de plantão do navio, para documentar a viagem com desenhos. CADEN BOSCH finge entrar para a equipe de corrida da escola, mas na verdade passa os dias caminhando quilômetros, absorto em pensamentos. CADEN BOSCH está dividido entre sua lealdade ao capitão e a tentação de se amotinar. CADEN BOSCH está dilacerado. Cativante e poderoso, O Fundo é Apenas o Começo é um romance que permanece muito além da última página, um pungente tour de force de um dos mais admirados autores contemporâneos da ficção jovem adulta .

Livro:  Fundo é apenas o começa|| Autor: Neal Shusterman
Editora: Valentina ||Ano: 2018 || Gênero:  YA
Classificação:  5 estrelas|| Resenhista: Karina

A maneira como eu escolho minhas leituras não segue muito um padrão, e escolhi esse livro pelo título sem nem pensar duas vezes - qualquer livro que se encaixe em Sick Lit, tem uma alta probabilidade de eu amar a leitura. Mais que só o título, temos na capa um selo que nos diz que o livro é vencedor do “National Book Award”, e antes de você se perguntar o que isso significa, deixa eu adiantar que todo os livros que li na vida que tinha esse selo me impactaram positivamente de alguma forma. 

Foi só depois, que reconheci o nome do autor, que já é bastante conhecido aqui pelo livro “O ceifador”. Além disso, ele também é vencedor do “National book award”. Quer mais o que?

Então, meu faro para livros mais profundos está super aguçado, e quando terminei essa leitura, tive a certeza que cada palavra mereceu as 5 estrelas, e se eu pudesse sairia por aí distribuindo cópias dos livros para que todos pudessem ler.

As coisas que sinto não podem ser traduzidas em palavras, ou, se podem, são palavras numa língua que ninguém pode compreender.

Depois desse background de escolha do livro, cheguei a uma história com um plot bem simples: acompanhamos Caden Bosh, um garoto de 15 anos, que em primeira pessoa relata a vida em casa e na escola e também em um outro ponto de vista, relata como é viver em um navio, fazendo parte da tripulação. Essas duas realidades se misturam e se alteram em capítulos bem curtos, o que produz um começo bem confuso e arrastado.

Ainda assim, se você precisa ficar a um triz de perder a vida só para gritar por socorro, há alguma coisa errada. Ou você não estava gritando alto o bastante, ou as pessoas na sua vida são cegas, surdas e mudas.

Na perspectiva real, que é menos confusa no começo, Caden frequenta a escola normalmente, é um aluno aplicado, desenha muito bem e desenvolve um jogo com outros amigos; ao mesmo tempo, Caden tem muitos pensamentos confusos, crises de ansiedade que acabam fazendo com que ele ache que um certo garoto na escola vai matá-lo. Para aliviar esses pensamentos, Caden anda muito pelas ruas do bairro.

Foi esse problema que tenho com o espaço vazio que me levou à arte. Vejo uma caixa vazia, tenho o impulso de enchê-la. Vejo uma folha em branco, não posso deixá-la nesse estado. Folhas em branco gritam comigo, exigindo serem preenchidas com o lixo do meu cérebro.

Enquanto na perspectiva de Caden como tripulante do navio, ele fica responsável por documentar a viagem através de seus desenhos até “Challenger Deep” (o lugar mais profundo do oceano). A tripulação desse navio nos traz cérebros andantes que correm pelo navio, um papagaio, um capitão e personagens e situações distorcidas.

São cinco horas da manhã. Você sabe disso, porque o relógio de pilha na parede do quarto tiquetaqueia tão alto que ás vezes é preciso abafa-lo com um travesseiro. E, ainda assim, embora sejam cinco da manhã aqui, são cinco da tarde na China- o que prova que verdades incompatíveis fazem perfeito sentido quando comparadas de uma perspectiva global.

O fato é que essas duas narrações se completam e nos levam através de uma família que enfrentará alguns desafios, até descobrir como é viver com uma doença mental. Com o aumento da sensação de perseguição que o Caden sente e compartilha com os pais, algumas atitudes são tomadas, o que nos leva a entender o porquê de essas realidades se completarem e se misturarem.

Há muitas coisas que não entendo, mas de uma tenho certeza absoluta: não existe diagnostico ‘correto’, somente sintomas e nomes para conjuntos de sintomas. (…) Os rótulos não significam nada, porque não existem dois casos idênticos.

A sensibilidade de como o autor descreve os efeitos de uma doença que envolve a mente humana, está refletida nas sutilezas de como a família se abala, em todas as pequenas dificuldades que eles enfrentam no dia a dia, nas interferências que a rotina sofre quando algo ou alguém daquela engrenagem familiar não “funciona” como deveria. Tudo isso nos aproxima da realidade que seria conviver com a situação. Se eu tivesse que definir uma lição dentro dessa história toda, seria o exercício de empatia que o livro nos entrega.

"Garotos mortos são postos em pedestais mas garotos com doenças mentais são varridos para debaixo do tapete."

É através de algumas metáforas, muitos conflitos, uma sensação de medo sempre presente e questionamentos de se o que acontece é real ou não, que chegamos perto do que seria viver da maneira que Caden vive, mas esse não é um tipo de livro que aponta só como as coisas podem ser ruins, é uma história que entrega que tudo pode dar certo, é sobre a importância de tentarmos nos manter sob controle, sobre a importância de nos apoiarmos, de amar incondicionalmente e entender até onde podemos fazer tudo sozinho e a partir de onde devemos pedir a ajuda dos outros.

"A moral da história é que não devemos nos libertar dos nossos monstros. Não, devemos abandonar tudo no mundo, menos eles. Devemos alimentá-los tanto quanto lutar com eles, submetendo-nos à solidão e à infelicidade sem qualquer esperança de fuga."

“O fundo é apenas o começo" foi o primeiro livro que li que abordou um tema tão diretamente; ao final da edição tem uma nota do autor em que Neal nos conta que sua obra de ficção tem muitos pontos em comum com a realidade. Neal teve um amigo que sofria de condições muito parecidas com as de Caden, e seu próprio filho,  Brendan Shusterman (responsável pelas ilustrações ao longo do livro), também já viajou até as profundezas da mente. Apesar dos momentos confusos, sem dúvida nenhuma, esse é um livro que eu recomendo. Mais do que recomendo, esse é um livro necessário e que deveria ser amplamente discutido.

18 agosto 2018

[Resenha] Apenas Amigos - Christina Lauren


Holland Bakker foi salva de um ataque no metrô pelo musicista irlandês Calvin McLoughlin. Como agradecimento, Holland o apresenta a um grande diretor de musicais e o que era uma tentativa despretensiosa se transforma numa chance inimaginável, pois, antes mesmo de perceber, Calvin foi escalado para um grande musical da Broadway! Ou quase… Até admitir que seu visto de estudante expirou e ele está no país ilegalmente. Sem titubear, e com uma paixão crescente pelo rapaz que só ele ainda não percebeu, Holland se oferece para casar com o irlandês a fim de mantê-lo em Nova York. Conforme a relação dos dois se desenrola de “apenas amigos” a ”casal apaixonado”, Calvin se torna o queridinho da Broadway. No meio de tanto teatro e do gostar-sem-se-envolver, o que fará esse casal perceber que há muito amor verdadeiro em cena?



Livro: Apenas Amigos|| Autor: Christina Lauren
Editora: Universo dos Livros||Ano: 2018 || Gênero:  Romance adulto
 Classificação:  4 estrelas || Resenhista: Lala
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O tanto que eu gostei desse livro? <3 


Claro que não teria como ser diferente já que é da autoria de Christina Lauren, ah essas duas! Só amo.

Holland tem um crush enorme pelo músico que fica na estação de trem, e isso já dura meses! No dia que ela finalmente toma coragem (literalmente ‘bebe’ coragem líquida) ela sofre um ataque que a faz parar no hospital, salva por ninguém menos que ele, o crush irlandês Calvin. 

Unindo o útil ao agradável, ela decide mostrá-lo ao tio, que está precisando desesperadamente de um violinista para seu espetáculo da Broadway e também como uma forma de agradecimento por Calvin tê-la salvado. Tudo dá mais que certo e todos se encantam com o incrível talento dele. Apenas há um gigante problema que o impede de realizar seu maior sonho, ele é um cidadão vivendo ilegalmente nos Estados Unidos.

“Um gesto como esse me dá a sensação de que estamos fazendo isto Até Que A Morte Nos Separe, quando na verdade é apenas Até Que As Cortinas se Fechem”.

É então que Holland decide seguir a ideia doida de seu colega de trabalho e propõe a Calvin que eles se casem, afim de que ele consiga a autorização de permanecer em solo americano e participar do espetáculo. Através dessa maluquice toda, nasce uma bela amizade entre eles, que entram nisso como cúmplices, topando ‘fingir’ serem marido e mulher por um ano. É claro que viver sob o mesmo teto com quem você é louca de tesão complicaria um pouco as coisas, não é? Principalmente se o sentimento é recíproco e cria todo um clima de tensão sexual.

“O que aconteceu com a gente na cama era verdade, mas e todo o resto? Não consigo nem mais confiar na minha bússola interior. Isto é amor?”.

Eu adorei o livro. Tem romance, humor e erotismo na medida certa! 


Em algumas partes confesso que achei o Calvin meio babaquinha com a Holland, mas eu o perdoei em todas as vezes por ele ser gato e tocar violão. Talvez entre todos os livros de Christina Lauren, este foi o de pegada mais superficial no pano de fundo da história, ou a falta dela. Mas ao que se propõe, que é o romance, tá tudo certinho e nos conforme. Se tivesse um final um pouco mais completo, com um epílogo, teria sido perfeito. Dessa forma achei um pouco abrupto e ‘largado’ e é só por isso que não dei a nota máxima. A história é bem fofa, clichê e vale muito a pena ser prestigiada.





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