Notícias

Filmes

Resenhas



13 janeiro 2021

[ Resenha] Depois do sim - Taylor Jenkins Reid



Depois do sim é uma leitura leve, divertida e ao mesmo tempo tocante e profunda sobre a complexidade dos relacionamentos que dão sentido às nossas vidas.
Após onze anos de casamento, Lauren e Ryan chegam à triste conclusão de que não estão felizes juntos. Esse poderia ser o fim, mas para os dois é só o começo. Eles vão passar por um ano diferente de tudo aquilo que já viveram, no qual aprenderão muito mais sobre si mesmos do que seriam capazes de imaginar. Depois do sim é uma história sobre o que acontece quando a paixão parece não estar mais lá. Sobre as várias facetas do amor. Sobre aprender a mantê-lo, perdê-lo, redescobri-lo e aceitá-lo como ele é. Acima de tudo, é a história de um casal preso nas armadilhas de seus hábitos e manias, mas disposto a buscar um novo e inusitado caminho para fazer dar certo.

 Livro:  Depois do sim || Autor:a  Taylor Jenkins Reid 
Tradutor: Alexandre Boide||Editora: Paralela|
Ano: 20120 || Assunto: Romance contemporâneo
 Classificação:  4,5 estrelas || Resenhista: Karina

Esse é o quarto ou quinto livro da Taylor que eu leio e sempre fico impactada com a sensação que a escrita deixa de que seus personagens realmente existem; desde Daisy jones and the six (que ainda fico traumatizada ao lembrar que a banda não existe) essa sensação se repete, assim como a certeza de que todo livro da autora, a história vai me acompanhar depois da última linha, e com a Lauren e o Ryan não foi diferente.

"Só porque dá para levar a vida sem uma pessoa não significa que a gente queira isso [...]"

Pelo título já dá para se ter uma ideia do que vem no enredo, finalmente uma história vai ser contada depois dos felizes para sempre, o problema é que talvez o felizes não dure para sempre. Calma, vamos por parte.

 Lauren e Ryan já são um casal na primeira página do livro, e um do tipo modelo de conto de fadas onde se apaixonar um pelo outro foi a parte fácil da história. Mas depois do casamento, a falta de comunicação, a rotina e só a paixão não foi suficiente, e é depois de muitos anos que eles decidem que para seguir em frente, é preciso dar um tempo, um tempo bem longo. 

 De comum acordo, eles decidem que vão ficar UM ano INTEIRO sem o menor contato um com o outro, totalmente livres das responsabilidades afetivas de um casamento.

 "Hoje, contei para os meus pais sobre nós,. Não foi fácil. Eles não ficaram nada contentes. Ficaram bem bravos com você, o que achei esquisito. Tentei explicar que ninguém teve culpa.Tentei explicar que foi uma decisão conjunta [...] E estão decepcionados comigo."




A narração é exclusivamente do ponto de vista da Lauren, mas como um passe de mágica, há uma maneira de sabermos pelo menos em parte sobre como tem sido para o Ryan o tempo da separação. Quando eles decidem que depois desse um ano separados eles devem se sentar e conversar para saber que rumo definitivo a vida deles vão tomar, meu coração desesperado de leitora já começou a sofrer por antecedência.

 Eu sei que isso é um livro e sei que os dois são fictícios, mas perceber a ausência de um na vida do outro me arrancou lágrimas que eu nem esperava; sofri quando Charlie o irmão da Lauren sentia falta do Ryan não como cunhado, mas como amigo e referência masculina, ainda mais na importante fase em que ele está passando, senti muitíssimo por todas as partes que Ryan sentiu a falta do Thumper (o cachorro do casal) ou nas pequenas constatações que a avó da Lauren nos leva a fazer quando dizia suas pequenas e importantes falas.

 "[...] não vou pegar o Thumper. Essa dor de viver sem vocês dois é dura demais. É solidão demais. Não consigo fazer isso com você [...]" 

Essa não é uma história extraordinária que vai mudar a sua vida, mas a imperfeição dos personagens vai fazer com que você reanálise toda e qualquer situação similar que você viveu ou que viu alguém próximo viver. Ryan erra, Lauren erra, a vovó Spencer joga umas verdade dura de engolir na cara de todo mundo e assim, a gente se torna um pouquinho melhor a cada página. Eu, pelo menos, reavaliei a importância do diálogo entre as pessoas, sobre a importância de dizer o que se espera de alguém ao invés de ficar esperando que magicamente elas ajam como esperamos.

 Esse é um livro sobre relacionamentos, mas não só do tipo amoroso, todos os personagens secundários tem papeis fundamentais para preencher lacunas na vida da Lauren e do Ryan e para nos fazer pensar que lidar com separação envolve mais do que a perda física da convivência entre o casal, envolve a perda da referência de uma amigo, de um conselheiro, adaptar-se a uma nova rotina pode nos mostrar buracos em nós com os quais não queremos lidar.

 Para saber como esse casal /ex-casal vai terminar, vocês vão precisar ler o livro, mas, se você está aqui no ELB há um tempinho, você sabe que já resenhamos tudo o que saiu da Taylor Jenkins no Brasil e que rasgamos seda descaradamente para essa mulher e com o "Depois do sim" não poderia ser diferente.

 A leitura vale muitíssimo a pena, a única ressalva é: exatamente como foi com Amor(es) Verdadeiro(s), esse é um livro anterior a Daisy Jnones and the six e Os 7 maridos de Evelyn Hugo, então a pegada de narração é um pouco diferente, mas isso não diminui em nada a qualidade do livro.



12 janeiro 2021

[Resenha] Sapiens: Uma breve história da humanidade , de Yuoval Noah Harari



Na nova edição do livro que conquistou milhões de leitores ao redor do mundo, Yuval Noah Harari questiona tudo o que sabemos sobre a trajetória humana no planeta ao explorar quem somos, como chegamos até aqui e por quais caminhos ainda poderemos seguir. O planeta Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos. Numa fração ínfima desse tempo, uma espécie entre incontáveis outras o dominou: nós, humanos. Somos os animais mais evoluídos e mais destrutivos que jamais viveram.
Sapiens é a obra-prima de Yuval Noah Harari e o consagrou como um dos pensadores mais brilhantes da atualidade. Num feito surpreendente, que já fez deste livro um clássico contemporâneo, o historiador israelense aplica uma fascinante narrativa histórica a todas as instâncias do percurso humano sobre a Terra. Da Idade da Pedra ao Vale do Silício, temos aqui uma visão ampla e crítica da jornada em que deixamos de ser meros símios para nos tornarmos os governantes do mundo.
Harari se vale de uma abordagem multidisciplinar que preenche as lacunas entre história, biologia, filosofia e economia, e, com uma perspectiva macro e micro, analisa não apenas os grandes acontecimentos, mas também as mudanças mais sutis notadas pelos indivíduos.


 Livro:  Sapiens : Uma breve história da humanidade 
Autor: Yuval Noah Harari||Tradutor: Jorio Dauster
Editora: Companhia das letras|Ano: 2020
 Classificação:  5 estrelas || Resenhista: Karina


Yuval Noah Harari é um historiador Israelense contemporâneo muito relevante e que eu ainda não conhecia até uns quatro anos atrás, e foi depois que descobri Sapiens que já foi publicado no Brasil pela LPM e agora relançado pela nova casa editorial do autor, a Companhia das letras, que meu leque de leituras aumentou drasticamente.

O livro compreende 70 mil anos de história em pouco mais de 400 páginas, a macro história contada está dividida em três grandes revoluções: revolução cognitiva, onde o Sapiens desenvolveu a capacidade de criar e imaginar sistemas de crenças e comportamentos que permitiu que nos organizássemos em grandes sociedade. Harari defende que a nossa capacidade em cooperar está ligada ao processo de ser capaz de imaginar histórias. 

A revolução agrícola, que permitiu que a sociedade deixasse de ser nômade por causa da busca de alimentos e fixasse moradia em determinados pontos, para desenvolver-se até o ponto que nos conhecemos como hoje e a revolução cientifica, que engloba todos os avanços tecnológicos e descobertas da ciências que temos até o presente, incluindo aqui invenções como o dinheiro ou instituições como a religião, porém, o foco não está no fato de sermos capaz de descobrir as coisas devido a inteligência e sim, a descoberta do fato de que não temos respostas para os questionamentos mais importantes, defendendo uma espécie de revolução de origem ignorante.

“O dinheiro é o único sistema de confiança criado pelos humanos capaz de superar praticamente qualquer abismo cultural, além de não discriminar religião, gênero, raça idade ou orientação sexual.



“[…] os humanos criaram ordens imaginadas e desenvolveram sistemas de escrita. Essas duas invenções preencheram as lacunas deixadas por nossa herança biológica.”

A investigação e organização dos fatos históricos que constituíram a humanidade até leva em alguns momentos a biologia como um fator a ser considerado, mas o foco é realmente  os processos históricos culturais que nos tornaram o que somos e a análise é feita numa escala de raça como um todo sem detalhar a especificidade de um ou outro continente.

No haul dos livros de não ficção, o conteúdo do historiador é simples, direto ao ponto e muito interessante, e quem dera nossas aulas de história no colégio tivesse um dedinho de desenvoltura que esse moço tem para explicar as coisas, talvez o futuro dos brasileiros fosse um pouquinho diferente, afinal de contas, um povo que dá importância para fatos do passado pode aprender a errar menos no futuro (o que não é muito o nosso caso), mas  vida que segue.

Se pensarmos que a última revolução que é exemplificada pelo autor aconteceu há menos de 500 anos,  a pergunta que fica no ar é para onde iremos, qual seria o próximo passo da humanidade? E embora, nesse exemplar não cheguemos a uma resposta em específico, há outras publicações já resenhadas do autor aqui como Homo Deus que explanam o nosso futuro.

Por mais que o livro trace uma panorama linear em ordem cronológica da história de maneira direta e simples, essa não é uma leitura muito rápida ou simples pelo fato de que há muita informação a ser absorvida, muitos pontos a serem refletidos, mas, ainda assim, é um tipo de leitura que eu indicaria para qualquer curioso, desde um adolescente até um senhor de idade, afinal, quanto mais pensarmos e aprendermos sobre o passado, menor as chances de criarmos situações que venham nos extinguir como raça.





Copyright © 2017 Every Little Book. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | OddThemes | ILUSTRAÇÃO: Yuumei